Terça-Feira

pílulas semanais

Sobre o caso Maxi López e Edicarlos

com um comentário

A minha opinião sobre racismo no futebol é a mesma desde sempre: toda punição exemplar é bem vinda e necessária.

A partir disso, algumas considerações sobre o caso Maxi López e Edicarlos, ocorrido ontem:

1 – Maxi López

Nunca é demais lembrar que ele chegou no Brasil em março. Na Espanha, na Argentina, deboches racistas sempre foram moeda corrente. É lamentável? Claro que sim, assim como é profundamente lamentável o torcedor brasileiro xingar o adversário de “viado”, “bichinha”, etc. Como ainda não temos nenhum homossexual assumido no futebol brasileiro, ninguém pode denunciar a polícia um xingamento homofóbico com alguma propriedade.

Digamos que, nesse momento de adrenalina alta, ele tenha realmente xingado o Elicarlos de “macaco”. Eu acho que ocorreu, a partir do vídeo do GloboEsporte, devido à reação imediata e intempestiva do Wagner (ele poderia ser expulso por aquilo, caso Maxi reagisse). Fosse eu assessor de imprensa do Grêmio, daria as seguintes orientações para Maxi:

a – assume que pode ter ofendido o jogador. Pede desculpas pelo ocorrido e lembra que, num campo de futebol, já xingou e foi xingado muitas vezes com termos semelhantes. Nunca pensou que a coisa fosse tomar esse tipo de consequência.

b – demonstra que não é racista. Além de pedir desculpas para o jogador, veste uma camisa do tipo “Grêmio Azul, Preto e Branco”, pede desculpas àqueles que possam se sentir ofendidos com o termo, faz uma doação de mil reais – ele ganha 180 por mês, não deve pesar no orçamento – para uma fundação anti-racismo. Convida toda a delegação, que lhe deu o maior apoio no ocorrido ontem, a fazer manifestações contra o racismo nos próximos jogos. Limpa a barra, por supuesto.

c – agradece o apoio irrestrito da delegação do Grêmio, que não ouviu o que aconteceu mas demonstrou que está com ele para o que der e vier. Pede desculpas a todos pelo excesso e confirma que isso não irá se repetir.

Se não houve qualquer xingamento de cunho racista – embora eu acredite que houve, também acredito na hipótese de não acontecer – vai para a entrevista coletiva dizendo o seguinte:

a – repete o que foi dito em campo. Reitera que ofensas do gênero aconteceram mais de uma vez no campo de jogo, ontem mesmo, também de parte do jogador.

b – considera a hipótese de uma ação planejada do Cruzeiro, por ele ser argentino e, portanto, um “alvo fácil”.

c – lamenta a forma que se desenvolveu o episódio, o desgaste ao qual foi submetido, a mancha na sua imagem devido ao ocorrido. Exige um pedido de desculpas do jogador pelas inverdades que disse. Não entra com processo, mas levanta a idéia de que poderia entrar se quisesse.

—–

2 – Grêmio

Não vou comentar o que disse Krieger na saída do ônibus. Acho que disse bobagem, mas eu também diria, de cabeça quente, na hora do ocorrido.

A ação de resistir à entrega de Maxi López, obrigando a PM a entrar, também não cabe avaliação. Foi uma atitude irracional, uma demência coletiva, quase todos fariam o mesmo naquela situação, dado o cansaço mental, físico e psicológico.

Achei, porém, muito positiva a idéia de mandar descer toda a delegação para apoiar Maxi López na delegacia. Ninguém que estava no ônibus ouviu o que aconteceu, pois nenhum jogador estava próximo. Logo, é necessário confiar na palavra daquele que é “nosso”. O Grêmio perderia muito, em imagem institucional, se apenas Maxi descesse do ônibus e fosse para a delegacia, quiçá algemado – como o Quilmes e Desábato perderam muito com a imagem em 2005. Golaço de marketing institucional e união do Grêmio naquela atitude.

Agora, a hora é de preservar a imagem do clube. Ou seja: lembrar todas as atitudes que o clube fez contra o racismo nos últimos tempos, lembrar de Lupicínio Rodrigues, Aírton, Tarciso, todos os outros grandes ídolos negros que o Grêmio teve. Façam camisetas com imagens de vultos negros do Grêmio e coloquem nos jogadores na hora das coletivas, com a frase “Grêmio Azul, Negro e Branco”. Vendam essas camisetas nas lojas a preços baratos, 20, 25 reais. A imagem do Grêmio já foi arranhada demais com esses casos. Uma crise dessas é a melhor hora de reagir.

3 – Elicarlos

Eu não sei como reagiria a uma ofensa racista ao vivo, nos dias atuais. Já aconteceu ao vivo, já aconteceu pela internet, a última terminou com uma denúncia no Ministério Público e com acareação do denunciado na Polícia Civil. Não foi condenado, mas não repetiu a dose. Então, reconheço que Elicarlos possa estar furioso e ao mesmo tempo, perdido com essa história.

Reagiu muito mal, porém, ao divulgar primeiro para a imprensa que possa ter sido ofendido. Colocou a público antes de uma análise mais cuidadosa. Todo mundo sabe que o público, a princípio, condena – agora, Maxi será chamado e lembrado como racista por onde passar, assim como Desábato, que não foi preso. Causou um tremendo dano à imagem do argentino, passível inclusive de processo judicial.

Quem ele deveria advertir no caso é o árbitro. Foi ofendido? O Wagner tomou as dores? Quase deu confusão? Chama o árbitro e denuncia. “Esse cara está me chamando de macaco, é ofensa racista, na próxima eu não vou tolerar”. Se o árbitro levou a sério, colocou na súmula ou deu cartão amarelo – se o árbitro detalhou o caso, aí tu revela o que aconteceu. O mais provável, porém, é o árbitro não dar bola para o ocorrido. Aí, espera a súmula, no dia seguinte. Com a cabeça fria. Não foi divulgado na súmula? Ainda se sente ofendido, injuriado, com o que ocorreu? Conversa com o treinador, com a esposa, com os companheiros, com os melhores amigos, para ver se leva adiante. Aí sim, se for o caso, leva para a imprensa.

Hoje, talvez ele tenha que abraçar uma confusão que não provocaria de novo. Aconteceu com o Grafite, em 2005. Por isso, o erro de denunciar com a cabeça quente, a adrenalina de uma semifinal de Libertadores. Racismo é coisa muito séria para sair de boca de jogador de futebol na saída de campo.

No curso sobre futebol que estou fazendo, há duas semanas foi sabatinado Tcheco, capitão do Grêmio. Chamou minha atenção uma frase muito inteligente dele: “O jogador de futebol não é preparado para cuidar da imagem do clube, e deveria ser”. Essa frase se adapta perfeitamente ao caso Elicarlos. Ao jogar a denúncia no ventilador, sem provas nem indícios suficientes, ele manchou especialmente a imagem do Cruzeiro. Como? Bem, tentou colocar a imagem do Maxi López e do Grêmio na lama. Agora, o Cruzeiro e ele serão atacados das mais diversas formas, por pessoas mais preparadas, com maior discernimento e sem a adrenalina de um pós-jogo. O Cruzeiro já foi acusado, por Krieger, de ter montado uma situação para prejudicar o Grêmio. Isso é uma tremenda acusação. Faz mal para a imagem do clube.

4 – A polícia

Autuori mandou bem quando disse que no caso Grafite, em 2005, nada aconteceu e muita gente “apareceu”. Geralmente é o que ocorre em operações policiais mal planejadas contra peixes pequenos. O delegado responsável dará muitas entrevistas até a quarta-feira que vem.

Não entendi ainda qual a necessidade de fazer o argentino prestar depoimento na delegacia do Mineirão. Não poderia prestar depoimento hoje pela manhã? Por carta precatória, em Porto Alegre? Talvez o problema fosse o seguinte – como provavelmente o caso vai acabar no palavra-contra-palavra, era indispensável ter uma declaração do Maxi López antes de ser preparado o cenário. Pode ser. A resistência do Grêmio agravou uma situação que era simples, mas poderia ter sido melhor conduzida também pela Civil – que chegou a autorizar a saída do ônibus, até a PM chegar.

Written by Luís Felipe

Junho 25, 2009 em 2:53 pm

Publicado em 1

Editorial do Correio do Povo, 5 de junho de 2009

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Como o site é restrito para assinantes, leia aqui o editorial do Correio do Povo divulgado nessa sexta-feira. Alguém aí falou em tiros de bazuca?

O puxa-saquismo como virtude

‘Independente, nobre e forte – procurará sempre sê-lo o Correio do Povo, que não é orgão de nenhuma facção partidária, que não se escraviza a cogitações de ordem subalterna.’

Os leitores do Correio do Povo já conhecem este trecho do editorial da primeira edição do jornal, publicada em 1º de outubro de 1895, não só pela sua constante repetição em nossas páginas, mas, principalmente, pela postura dos profissionais que aqui trabalham e que respeitam este mandamento como um dogma espelhado em cada exemplar diário que chega à casa de nossos assinantes. Não foram poucos os dissabores que colhemos pela independência retratada em nossas páginas, subordinada apenas às aspirações da comunidade: perseguições governamentais, discriminação em investimentos, censura, tentativas de proibição de acesso a informações públicas e muitas outras artimanhas próprias de chefetes inconformados com o desnudamento de suas falcatruas e incompetências. A mais comum delas, no entanto, é a tentativa canhestra de identificar o Correio do Povo com uma ou outra corrente partidária, geralmente opositora daqueles aqui criticados.

Algo que não víamos havia décadas, porém, vem se repetindo com constância nos últimos anos. Trata-se do papel vergonhoso desempenhado por alguns veículos de comunicação que, não satisfeitos com seu próprio puxa-saquismo desenfreado, tentam transformar a bajulação em virtude e a independência de outros em defeito. Ataques comuns no início do século passado, quando a maioria dos jornais pertencia a partidos ou a governos e, portanto, comprometidos com seus patrões políticos, ao contrário do Correio do Povo, que já nasceu imparcial, voltam a ocorrer nestes novos tempos, como parte da estratégia global de suas matrizes, desesperadas com a perda da hegemonia monopolizante da comunicação social no país. Buscando parecer imparciais, o mais perto que chegam do que imaginam serem as tradições gaúchas é agir como o quero-quero, que grita bem longe de onde está o ninho verdadeiro.

Não é outro o caso do jornal Zero Hora, que desde a aquisição do Correio do Povo pelo Grupo Record vem fazendo uma campanha pérfida contra o jornal dos gaúchos com a publicação de notas e insinuações como a reproduzida ontem em sua coluna de ‘opinião política’, na qual tenta imputar comprometimento partidário ao Correio do Povo. E isso aconteceu na mesma edição em que aquele jornal omitiu importantes informações sobre a percepção dos gaúchos quanto à possibilidade de corrupção no governo estadual, como a de que uma parcela relevante dos entrevistados defende o impeachment da governadora, no âmbito de uma pesquisa do Instituto Datafolha cujos dados essenciais foram publicados com destaque pelo Correio do Povo.
O Correio do Povo tem uma história de mais de 113 anos a serviço da coletividade. Esta história diz por si mesma de nossos compromissos, reafirmados na íntegra pelo Grupo Record e dos quais jamais nos afastamos. É esta história que os gaúchos conhecem e que não precisa ser reescrita, ao contrário de outros, que, talvez por vergonha de seus próprios caminhos, estão sempre à espreita de uma mudança de rumos que coloque o Correio do Povo ao seu lado na senda indigna que eles escolheram.

Written by Luís Felipe

Junho 5, 2009 em 2:08 pm

Publicado em edição extra

Censura na Internet é falta de conhecimento

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Tenho acompanhado há algum tempo o caso Ronaldo Bernardi-Wladymir Ungaretti, no blog deste último. Em resumo, o que soube foi o seguinte: Ungaretti, professor de jornalismo na UFRGS e com anos de experiência em fotografia, descobriu que o fotógrafo supracitado estava ganhando prêmios e prestígio com fotos montadas – as populares “cascatas”. Não era exatamente uma falsificação, com photoshop e afins; eram fotos combinadas. Leia o resto deste post »

Written by Luís Felipe

Março 25, 2009 em 1:24 pm

Carnaval sem rua não é carnaval

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Passou uma semana e ninguém percebeu. Mais uma vez, Porto Alegre foi uma cidade completamente deserta no carnaval. Todos fugiram para o litoral, para o interior, gostando ou não de fazer festa nesses curtos dias.

Alguns obstinados resistiram. Na segunda-feira de carnaval, novamente, o pessoal da Rua do Perdão organizou uma festança. Foi na Rua da República, entre as ruas Sofia Veloso e o Teatro de Câmara. Não fui, mas soube que a chuva não acalmou os ânimos do pessoal.

Participei de alguns eventos do grupo no ano passado. Almoços na Associação dos Carnavalescos, com palestras sobre história negra e muito samba, além da comida boa. Tudo organizado com perfeição pelo Pernambuco, a Vera Daisy e outros grandes militantes não só do movimento, mas do carnaval de Porto Alegre, que tem um centenário e meio de história para contar. Todos lembram com saudade os carnavais de rua de antigamente, e se questionam sobre os motivos da rua não ser mais um palco de festa.

Eu também questiono. Afinal, o que impede a festa na rua em Porto Alegre? Por que temos carnaval em tantas cidades, praieiras ou não, e em Porto Alegre isso não acontece? O que impede o povo de sair às ruas com fantasias, tambores para acordar a terra e confetes?

O conservadorismo da sociedade do porto dos casais já mandou os desfiles para o Porto Seco. Nada contra a estrutura do Sambódromo, que é muito boa, mas quando a maior festa popular do ano é despachada para a periferia, é por que algo está errado.

Conversando com um taxista sobre o assunto, dia desses, ele me disse que costumava sair fantasiado todos os dias do carnaval, na Medianeira, na Cidade Baixa e no Areal da Baronesa (o Alto da Bronze). Hoje não dá mais, por causa da violência. Ora, a violência explica tudo? Ou o medo dela explica mais ainda?

Na Bahia, enquanto os trios elétricos estão na rua, há pouquíssimas ocorrências de violência. Aqui mesmo em Porto Alegre, existem grandes aglomerações populares que não acabam em carnificina. Na procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, não se vê uma ocorrência sequer. Ah, é um evento religioso? Vejamos então os aniversários das rádios Cidade e Farroupilha, geralmente comemorados em lugares abertos ao público, como o Anfiteatro Pôr do Sol – também não acaba em tragédia. Há bebida alcoólica, há festa, tudo isso.

Estamos numa época em que há muito populismo e alarmismo em cima da violência. Jornais saem toda semana com matérias especiais sobre os novos monstros a repousar debaixo da cama da classe média. Sempre há reações: tira-se a bebida alcoólica dos estádios, revistam os negros, proíbem os guarda-chuvas. Enquanto isso, ninguém mais conhece a história do Carnaval. O Carnaval é um evento de início do ano, sim. É quando a terra é acordada pelos tambores, para produzir muito durante a temporada. Quando as pessoas liberam a sua sexualidade, as suas vergonhas, para começar o ano sem as culpas que levarão consigo devido à dura rotina do trabalho. Aqui, vemos isso como uma coisa negativa! Parar no carnaval é coisa de brasileiro vagabundo!

Ultimamente, lemos muitas notícias e poucos livros. Há um obscurantismo histórico profundo quanto a determinados fatores culturais, o carnaval entre eles. Inclusive há garotos que durante os cinco dias de festa desdenham do carnaval gaúcho dizendo que é “coisa de brasileiro” – desconhecendo que o tradicionalismo guasca tem um centenário de anos a menos que o carnaval aqui festejado.

Porto Alegre tem que estudar mais o carnaval! Nas escolas, nas revistas, nas faculdades. Conhecer mais a festa, sem preconceitos. Quem sabe, daqui a uns anos, todos percebam que carnaval sem rua não é carnaval.

Written by Luís Felipe

Março 3, 2009 em 12:55 pm

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10 maiores discos brasileiros

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inspirado nesta lista.

acho que essa lista fica muito prejudicada por que, ao contrário dos americanos e ingleses, os brasileiros nunca se preocuparam muito em fazer álbuns com uma coerência, um conceito único. Muitas vezes se vendiam para coletâneas ou álbuns que simplesmente sintetizavam composições de artistas contratados pelas gravadoras. Há artistas que têm coletâneas muito melhores que seus discos próprios – Tim Maia, p.ex.

Essa lista é minha e ninguém tasca. Discorda nos comentários, nos blogs, mas não mexe, por favor. Leia o resto deste post »

Written by Luís Felipe

Fevereiro 12, 2009 em 5:37 pm

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Internacional 2×1 Grêmio – análise e notas

com 4 comentários

Written by Luís Felipe

Fevereiro 9, 2009 em 12:32 am

Publicado em madrugada

Balanço da temporada da dupla Gre-Nal

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Então tá, agora que acabou o ano, vamos nos ENSIMESMAR e fazer uma retrospectiva do que aconteceu de melhor e pior, com perpectivas para o próximo ano e toda aquela coisa natalina.

SOCCER-LATAM/

A conquista da Copa Suda. REUTERS/Sergio Moraes

INTERNACIONAL

MELHOR MOMENTO: A conquista da Copa Sul-Americana, depois de duas finais eletrizantes e dignas das grandes finais da história do futebol sul-americano.

PIOR MOMENTO: A derrota de 4×0 para o Vasco da Gama, depois rebaixado, em agosto. O Inter estava com todos os reforços em campo e com aquela derrota, demonstrou que não teria capacidade de chegar no grupo da Libertadores.

MELHOR JOGADOR: Alex, que decidiu várias partidas, foi o jogador com maior número de gols e assistências e apresentou uma capacidade de improviso típica dos craques.

PIOR JOGADOR: Daniel Carvalho. Não pela sua qualidade em si, mas pela decepção. Era um ídolo da torcida e foi afogado pela má forma física, a falta de vontade e as rusgas com o treinador.

A goleada para o Vasco com falha de Clemer. Foto Ig Esporte

A goleada para o Vasco com falha de Clemer. Foto Ig Esporte

O QUE LEVARÁ DE BOM DE 2008: Está com um time praticamente pronto para a próxima temporada, com exceção da lateral direita, pois Bolívar não ficará. Precisa de jogadores para compor o grupo, encontrar substitutos para prováveis vendas e outros jogadores importantes, como Guiñazu. Além do mais, acaba o ano com boa moral, pela conquista do título da Copa Suda.

O QUE DEVERÁ ESQUECER EM 2009: A política de montar um time novo na metade do ano; O investimento em empréstimos caros para 6 meses; os treinamentos em apenas um turno; metade dos jogadores das categorias de base que foram primeira opção em 2008; a falta de perspectiva de conquistar o título brasileiro.

POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES: O Inter provavelmente perderá alguns dos seus melhores jogadores por muito dinheiro, e aqui cito Alex, Nilmar, D’Alessandro, Guiñazu e num segundo momento, as promessas Sandro e Danny Morais. Por isso, o clube deve manter em mente que esses jogadores deverão ser substituídos por outros com capacidade de decisão.

O Gauchão não deve atrapalhar. Agência Preview

O Gauchão não deve atrapalhar. Agência Preview

As fases decisivas da Copa do Brasil deverão ser disputadas ao lado da decisão do campeonato Gaúcho. Caso o Inter chegue em ambas, deve adotar times mistos. Isso não quer dizer jogar com time B (ou Z) como em 2007, mas poupar os atletas mais cansados ou com algumas dores. O Grêmio, por exemplo, ganhou o Gauchão em 1995 não com time totalmente reserva, mas com time misto (cerca de cinco titulares).

Outra coisa importante é pensar o ano visando a conquista do campeonato brasileiro. Isso quer dizer ajustar a preparação física para um sprint no final do ano. Necessariamente isso implicará em perdas em outras fases do ano, mas é fundamental priorizar a competição mais importante. O Inter tem de tirar vantagem da ausência da Libertadores no início do ano, não precisando usar força total nos três primeiros meses. Esse planejamento não deve ser alterado por eventuais negociações.

Outra coisa importantíssima é não se basear em torneios paralelos, como a Recopa ou a Suruga Bank. É legal ganhar mais competições internacionais que o Grêmio, ok. Só que ficar dois anos seguidos fora da Libertadores tornará o clube inviável financeiramente.

Tcheco liderou o Grêmio no campeonato. Neco Varella/AFL

Tcheco liderou o Grêmio no campeonato. Neco Varella/AFL

GRÊMIO

MELHOR MOMENTO: Quando o Grêmio venceu o Atlético MG por 4×0 no Mineirão, sagrou-se campeão simbólico do turno e favorito ao título nacional.

PIOR MOMENTO: A derrota para o Atlético Goianiense nos pênaltis, no primeiro semestre, forçou férias de um mês para o clube e colocou uma bigorna na cabeça de Celso Roth, até por ser a segunda eliminação consecutiva numa semana.

MELHOR JOGADOR: O goleiro Victor, que impressionou por pela regularidade e por ter as principais características relativas a um craque do gol: envergadura, estabilidade emocional, agilidade e habilidade com as mãos. Finalmente o Grêmio achou um substituto para Danrlei.

PIOR JOGADOR: Eduardo Costa foi diretamente responsável por dois desastres anímicos no Grêmio. Um deles em 2007, quando deu uma voadora em Claiton e ocasionou uma guerra que só foi terminar no Aeroporto. Outro em 2008, quando foi expulso de forma infantil contra o Juventude e ainda chamou os companheiros, sem sucesso, para brigar e melar a partida. Depois que saiu, assumiram a volância do Grêmio William Magrão e Rafael Carioca, que estabilizaram o setor no âmbito emocional e técnico.

Eliminação para o Atlético-GO mandou o time às férias. ClicRBS

Eliminação para o Atlético-GO mandou o time às férias. ClicRBS

O QUE LEVARÁ DE BOM DE 2008: O excelente trabalho de Celso Roth, a afirmação de um time titular que não será desmanchado pela janela de transferências, pois têm a sua base na excelência técnica e tática, não em valores pessoais. A afirmação de uma direção de futebol sólida, com Krieger e Rodrigo Caetano. A capacidade de fazer com que atletas de nível médio produzam o máximo possível por um espaço de tempo não tão curto.

O QUE DEVERÁ ESQUECER EM 2009: A instabilidade emocional que detonou o time no início do ano; o coitadismo que mobilizou o clube contra forças ocultas e não mobilizou o time para manter a postura de líder e provável campeão brasileiro; as divergências políticas que desuniram a cúpula do Grêmio em um momento fundamental para a conquista do título; as polêmicas desnecessárias nos casos da Arena e da violência entre as torcidas gremistas.

POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES: O primeiro turno do campeonato brasileiro mostrou que o Grêmio tem capacidade de esticar a corda e levar isso adiante por meses a fio. Se Flávio de Oliveira conseguir fazer isso de novo na segunda fase da Libertadores, anda meio caminho em direção ao tricampeonato da América. Entre abril e junho, o time do Grêmio precisará de concentração total e a plena forma física será indispensável para isso. Será fundamental jogar os primeiros meses do ano a meio pau, com times reservas ou mistos, poupando lesões e dores mais fortes.

Victor foi o grande achado do Grêmio em '08. Valdir Friolin/RBS

Victor foi o grande achado do Grêmio em '08. Valdir Friolin/RBS

É provável que o Grêmio perca jogadores na janela de transferências, como Rafael Carioca, Léo, Réver, Victor e Reinaldo. À exceção de Victor, nenhum desses jogadores é decisivo. O Grêmio deve então aproveitar o dinheiro recebido não para pagar dívidas, mas para conseguir jogadores equivalentes, em forma física e determinação.

Considerando que o Grêmio tem um grupo fácil e estar entre os 16 melhores da América é um passo fundamental para ser campeão, é complicado prever como será o campeonato brasileiro do Grêmio. Se não conseguir a vaga pela Libertadores, deverá lutar pela mesma vaga no campeonato, para manter o equilíbrio financeiro dos últimos anos e conseguir suprir as eventuais perdas com contratações semelhantes.

Outra coisa fundamental será contratar um outro jogador para exercer o papel de liderança técnica, ao lado de Tcheco, que demonstrou não ter condições físicas, técnicas e emocionais de levar essa função adiante por muito tempo. Esse jogador não é Souza, nem será Douglas Costa. É preciso encontrar um novo Roger, talvez mais barato e menos polêmico.

Written by Luís Felipe

Dezembro 9, 2008 em 7:42 am

Publicado em manhã

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Trilha da Jornada Esportiva da Rádio Gaúcha

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Depois de anos de procura, consegui achar a música que é a CARACTERÍSTICA da Jornada Esportiva na Rádio Gaúcha. Característica é como são chamadas as trilhas de programas no rádio.

Ela está no disco Jet Flight, de Norrie Paramor and Orchestra. O nome é Sydney Stopover. Consta que existe uma cópia na Rádio da Universidade 1080 AM.

Sem mais delongas, aproveite:

JORNADA ESPORTIVA RADIO GAUCHA – Sidney_Stopover_-_Norrie_Paramor.mp3

Written by Luís Felipe

Novembro 25, 2008 em 10:00 am

O Grêmio cansou

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gremio.net

Flávio Oliveira trabalhou no surpreendente São Caetano em 2000/01. Foto: gremio.net

Quando virou o turno e o Grêmio apresentou aquele futebol todo (liderança, oito pontos de vantagem, melhor ataque e defesa) eu comentei neste sítio e em outros que o fato do Grêmio surpreender a si mesmo poderia prejudicar a campanha mais adiante. Especialmente em relação à preparação física.

A comissão técnica do Grêmio, aproveitando as férias forçadas e depois a pré-temporada de abril/maio, resolveu trabalhar com intensidade máxima no início do campeonato. Isso deu uma grande vantagem ao time, até pela competência dos seus profissionais (Celso Roth, ex-preparador; Flávio Oliveira, que era o preparador do surpreendente São Caetano em 00/01).

A questão é que esta vantagem superior não poderia ser mantida por muito tempo. No final do turno o Grêmio reduziu a intensidade dos treinos, para tentar manter a continuidade do time. Logrou êxito por um breve tempo, mas logo as lesões começaram a aparecer. Por conseqüência, o time acabou sendo alterado, o esquema tático também. Somando isso aos treinamentos com menor intensidade, é provável que o Grêmio tenha atuado nas últimas partidas sem trabalho tático aprimorado.

Alguém pode dizer: “ah, mas o Grêmio continua correndo até o final”. É verdade, o que demonstra mais uma vez a competência da comissão técnica. Só que para permanecer correndo, o time teve que treinar menos outras coisas. É uma equação inevitável em qualquer time.

O problema é que outros times, como Palmeiras, Cruzeiro e São Paulo, entraram no campeonato para disputar o título. Sendo assim, é provável que tenham trabalhado para usar a intensidade máxima nos treinamentos agora, antes das férias, trabalhando menos nos meses anteriores para evitar lesões. Imaginavam, com razão, que o momento para decidir era este; logo, pé no fundo do acelerador, as dores se resolvem nas férias. O resultado vemos a cada jogo: os três times estão muito mais concentrados e velozes que o Grêmio.

Acredito que isso tornará muito complicada a tarefa de conquistar o título. Quanto à vaga na Libertadores, o Grêmio só perderá se levar um golpe psicológico muito profundo. Nesta tarde, foram reveladas questões disciplinares complicadas no vestiário; isso não pode afetar o vestiário. Se afetar, o Grêmio tende a não encontrar forças de recuperação, o que causará um desastre. Mantendo o equilíbrio emocional, entra 2009 jogando a América – e como todo time brasileiro, entra como favorito.

Written by Luís Felipe

Novembro 4, 2008 em 1:10 pm

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Carta na mesa

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Participei do podcast Carta na Mesa, sobre futebol – embora o nome remeta a baralho – na tarde dessa terça-feira.

Recomendo a todos. É melhor que o Sala de Redação. Informação de nível e sem brigas idiotas.

Visite também o Carta na Manga, excelente blog sobre futebol.

Written by Luís Felipe

Outubro 28, 2008 em 10:30 pm

Publicado em noite

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