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Balanço da temporada da dupla Gre-Nal

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Então tá, agora que acabou o ano, vamos nos ENSIMESMAR e fazer uma retrospectiva do que aconteceu de melhor e pior, com perpectivas para o próximo ano e toda aquela coisa natalina.

SOCCER-LATAM/

A conquista da Copa Suda. REUTERS/Sergio Moraes

INTERNACIONAL

MELHOR MOMENTO: A conquista da Copa Sul-Americana, depois de duas finais eletrizantes e dignas das grandes finais da história do futebol sul-americano.

PIOR MOMENTO: A derrota de 4×0 para o Vasco da Gama, depois rebaixado, em agosto. O Inter estava com todos os reforços em campo e com aquela derrota, demonstrou que não teria capacidade de chegar no grupo da Libertadores.

MELHOR JOGADOR: Alex, que decidiu várias partidas, foi o jogador com maior número de gols e assistências e apresentou uma capacidade de improviso típica dos craques.

PIOR JOGADOR: Daniel Carvalho. Não pela sua qualidade em si, mas pela decepção. Era um ídolo da torcida e foi afogado pela má forma física, a falta de vontade e as rusgas com o treinador.

A goleada para o Vasco com falha de Clemer. Foto Ig Esporte

A goleada para o Vasco com falha de Clemer. Foto Ig Esporte

O QUE LEVARÁ DE BOM DE 2008: Está com um time praticamente pronto para a próxima temporada, com exceção da lateral direita, pois Bolívar não ficará. Precisa de jogadores para compor o grupo, encontrar substitutos para prováveis vendas e outros jogadores importantes, como Guiñazu. Além do mais, acaba o ano com boa moral, pela conquista do título da Copa Suda.

O QUE DEVERÁ ESQUECER EM 2009: A política de montar um time novo na metade do ano; O investimento em empréstimos caros para 6 meses; os treinamentos em apenas um turno; metade dos jogadores das categorias de base que foram primeira opção em 2008; a falta de perspectiva de conquistar o título brasileiro.

POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES: O Inter provavelmente perderá alguns dos seus melhores jogadores por muito dinheiro, e aqui cito Alex, Nilmar, D’Alessandro, Guiñazu e num segundo momento, as promessas Sandro e Danny Morais. Por isso, o clube deve manter em mente que esses jogadores deverão ser substituídos por outros com capacidade de decisão.

O Gauchão não deve atrapalhar. Agência Preview

O Gauchão não deve atrapalhar. Agência Preview

As fases decisivas da Copa do Brasil deverão ser disputadas ao lado da decisão do campeonato Gaúcho. Caso o Inter chegue em ambas, deve adotar times mistos. Isso não quer dizer jogar com time B (ou Z) como em 2007, mas poupar os atletas mais cansados ou com algumas dores. O Grêmio, por exemplo, ganhou o Gauchão em 1995 não com time totalmente reserva, mas com time misto (cerca de cinco titulares).

Outra coisa importante é pensar o ano visando a conquista do campeonato brasileiro. Isso quer dizer ajustar a preparação física para um sprint no final do ano. Necessariamente isso implicará em perdas em outras fases do ano, mas é fundamental priorizar a competição mais importante. O Inter tem de tirar vantagem da ausência da Libertadores no início do ano, não precisando usar força total nos três primeiros meses. Esse planejamento não deve ser alterado por eventuais negociações.

Outra coisa importantíssima é não se basear em torneios paralelos, como a Recopa ou a Suruga Bank. É legal ganhar mais competições internacionais que o Grêmio, ok. Só que ficar dois anos seguidos fora da Libertadores tornará o clube inviável financeiramente.

Tcheco liderou o Grêmio no campeonato. Neco Varella/AFL

Tcheco liderou o Grêmio no campeonato. Neco Varella/AFL

GRÊMIO

MELHOR MOMENTO: Quando o Grêmio venceu o Atlético MG por 4×0 no Mineirão, sagrou-se campeão simbólico do turno e favorito ao título nacional.

PIOR MOMENTO: A derrota para o Atlético Goianiense nos pênaltis, no primeiro semestre, forçou férias de um mês para o clube e colocou uma bigorna na cabeça de Celso Roth, até por ser a segunda eliminação consecutiva numa semana.

MELHOR JOGADOR: O goleiro Victor, que impressionou por pela regularidade e por ter as principais características relativas a um craque do gol: envergadura, estabilidade emocional, agilidade e habilidade com as mãos. Finalmente o Grêmio achou um substituto para Danrlei.

PIOR JOGADOR: Eduardo Costa foi diretamente responsável por dois desastres anímicos no Grêmio. Um deles em 2007, quando deu uma voadora em Claiton e ocasionou uma guerra que só foi terminar no Aeroporto. Outro em 2008, quando foi expulso de forma infantil contra o Juventude e ainda chamou os companheiros, sem sucesso, para brigar e melar a partida. Depois que saiu, assumiram a volância do Grêmio William Magrão e Rafael Carioca, que estabilizaram o setor no âmbito emocional e técnico.

Eliminação para o Atlético-GO mandou o time às férias. ClicRBS

Eliminação para o Atlético-GO mandou o time às férias. ClicRBS

O QUE LEVARÁ DE BOM DE 2008: O excelente trabalho de Celso Roth, a afirmação de um time titular que não será desmanchado pela janela de transferências, pois têm a sua base na excelência técnica e tática, não em valores pessoais. A afirmação de uma direção de futebol sólida, com Krieger e Rodrigo Caetano. A capacidade de fazer com que atletas de nível médio produzam o máximo possível por um espaço de tempo não tão curto.

O QUE DEVERÁ ESQUECER EM 2009: A instabilidade emocional que detonou o time no início do ano; o coitadismo que mobilizou o clube contra forças ocultas e não mobilizou o time para manter a postura de líder e provável campeão brasileiro; as divergências políticas que desuniram a cúpula do Grêmio em um momento fundamental para a conquista do título; as polêmicas desnecessárias nos casos da Arena e da violência entre as torcidas gremistas.

POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES: O primeiro turno do campeonato brasileiro mostrou que o Grêmio tem capacidade de esticar a corda e levar isso adiante por meses a fio. Se Flávio de Oliveira conseguir fazer isso de novo na segunda fase da Libertadores, anda meio caminho em direção ao tricampeonato da América. Entre abril e junho, o time do Grêmio precisará de concentração total e a plena forma física será indispensável para isso. Será fundamental jogar os primeiros meses do ano a meio pau, com times reservas ou mistos, poupando lesões e dores mais fortes.

Victor foi o grande achado do Grêmio em '08. Valdir Friolin/RBS

Victor foi o grande achado do Grêmio em '08. Valdir Friolin/RBS

É provável que o Grêmio perca jogadores na janela de transferências, como Rafael Carioca, Léo, Réver, Victor e Reinaldo. À exceção de Victor, nenhum desses jogadores é decisivo. O Grêmio deve então aproveitar o dinheiro recebido não para pagar dívidas, mas para conseguir jogadores equivalentes, em forma física e determinação.

Considerando que o Grêmio tem um grupo fácil e estar entre os 16 melhores da América é um passo fundamental para ser campeão, é complicado prever como será o campeonato brasileiro do Grêmio. Se não conseguir a vaga pela Libertadores, deverá lutar pela mesma vaga no campeonato, para manter o equilíbrio financeiro dos últimos anos e conseguir suprir as eventuais perdas com contratações semelhantes.

Outra coisa fundamental será contratar um outro jogador para exercer o papel de liderança técnica, ao lado de Tcheco, que demonstrou não ter condições físicas, técnicas e emocionais de levar essa função adiante por muito tempo. Esse jogador não é Souza, nem será Douglas Costa. É preciso encontrar um novo Roger, talvez mais barato e menos polêmico.

Escrito por Luís Felipe

Dezembro 9, 2008 em 7:42 am

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O 12º jogador

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centroavante Luiz Carlos deve ser o 12º jogador do Inter

centroavante Luiz Carlos deve ser o 12º jogador do Inter. Fonte: AI Inter

A NBA dá um prêmio anual para o reserva que entra melhor nas partidas, considerado o “sexto” jogador. No futebol, a regra não é tão flexível quanto a substituições; mesmo assim, o treinador também precisa pensar no reserva que seja mais eficiente. Celso Roth tem Reinaldo exercendo essa função. Tite acredita que Taison seja o seu 12º atleta, mas não tem dado certo, especialmente por que ele é um jogador leve e rápido como todos os outros atletas ofensivos do Inter.

Tite ainda não entendeu que o seu time precisa de um centroavante nas horas difíceis. Jogadores virtuosos como Nilmar, Alex, D’Alessandro e Daniel Carvalho são capazes de fazer tramas rápidas, tabelas, chegar bem ao gol. Porém, diante de uma linha defensiva bem recuada e com marcação individual, o aproveitamento é pequeno. Some isso à dificuldade emocional do time em lidar com tarefas adversas durante a partida, devido ao não cumprimento das expectativas na tabela, o resultado é um Inter com muita pressa de finalizar e definir a partida, mas com poucas condições reais de fazê-lo. Algumas rodadas atrás, esta dificuldade se devia à desorganização do time, vitimado pela chegada de muitos atletas e pela indecisão de Tite quanto ao esquema. Agora, o Inter parece ter definido o esquema e as funções dos principais jogadores em campo. A desorganização tende a diminuir em condições normais de pressão.

Em condições piores, como o segundo tempo contra o Flamengo após o gol, é inevitável que o time se desorganize um pouco. Tite pode facilitar as coisas escalando um centroavante e colocando os três zagueiros nas suas posições mais corretas. Luiz Carlos demonstrou que, embora não seja um extra-classe, tem condições de cumprir uma função tática determinada. Contra o Flamengo, ele poderia trocar de posição com Nilmar, chamando para si a marcação de Fábio Luciano e liberando o atacante do Inter para pegar a bola de frente para o gol. Isso facilitaria as tabelas com D’Alessandro, Gustavo Nery (bastante ofensivo na partida) e Magrão. Tite colocou Adriano no lugar de Alex, ainda no intervalo (1-0 para o Inter) com a idéia de não mudar muito a característica ofensiva do time. Poderia, entretanto, recuar Nilmar para fazer a função de Alex e colocar Luiz Carlos. Optou por uma solução conservadora e errônea, pois Adriano foi inoperante na partida.

Quanto à defesa, Bolívar está sendo sacrificado na função de líbero. Nunca foi um jogador com muita qualidade técnica na saída de jogo; o período no futebol francês acentuou esse problema. Além do mais, tem posicionamento ruim; esse atributo é fundamental para o funcionamento do esquema com três zagueiros. Quando Danny – bastante lento, mas seguro – entrou no lugar de Índio, Bolívar foi deslocado para a posição certa. Então, o Flamengo passou a atacar nas costas de Marcão, outro jogador com problemas sérios de posicionamento e concentração. É natural o time ser atacado quando perde meio campo (saída de Magrão, outro erro de Tite) e adianta a defesa; não é natural a facilidade com a qual o Flamengo chutou contra o gol de Clemer.

Índio poderá fazer melhor a função de zagueiro pelo centro. Se este zagueiro for colocado atrás, Danny é a melhor opção. Pela esquerda, Tite terá de inventar novas alternativas. O seu quase-homônimo (Titi) mostrava que poderia jogar naquela posição. Nunca vi Álvaro Luiz atuar por ali, mas é uma possibilidade.

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Esse texto está baseado na hipótese de permanência de Tite, que necessariamente passa por uma vitória no Gre-Nal da Sul-Americana. Neste jogo, o Inter enfrentará os seus principais demônios nos últimos tempos – a desorganização tática, o desgaste físico, a necessidade de fazer jogadores caros produzirem em alto nível. O adversário não poderia ser pior. O Grêmio, além de ser um arqui-rival jogando em casa, é um time organizado (mesmo com os reservas), bem preparado fisicamente e que estará disposto a jogar defensivamente, aproveitando os erros do Inter. Em poucas palavras, é uma tremenda armadilha para Tite.

Neste jogo o treinador colorado poderá escalar Luiz Carlos, até por que é provável que Alex pare por um bom tempo. Entretanto, a questão anímica será o principal problema. O Inter precisa marcar gols para se classificar, fato que traz uma pressão significativa. Por outro lado, qualquer mínimo erro do treinador será visto pela torcida como uma catástrofe. Seja pelo mau rendimento da equipe, seja pelo fiasco de ser eliminado pelos reservas do rival. A identificação histórica de Tite com o Grêmio não ajuda em nada, também.

Tite está passando por um rio lotado de piranhas com um bote de plástico. Com alguma sorte e bastante força nos remos, poderá chegar a margem. Se vacilar, afundará.

Escrito por Luís Felipe

Agosto 26, 2008 em 11:00 am

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futebol

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escrevi dois artigos sobre futebol no Opinião Esportiva, site do André Baibich.

no primeiro, falo sobre a péssima idéia de Tite em adotar as duas linhas de quatro. Se quiser ver com as figuras, clique aqui.

no segundo, uso as estatísticas do campeonato para tirar Edinho do time e descobrir um dos segredos da grande campanha gremista.

ainda acredito que o Grêmio não será campeão. Muito disso tem a ver com a preparação física. O Grêmio visivelmente forçou a barra nos trabalhos físicos neste primeiro turno, por algum motivo relacionado ao planejamento inicial – que certamente não previa uma disputa do título. Agora, a tendência é decair, enquanto os times que se prepararam para conquistar o título (Palmeiras, São Paulo, Cruzeiro) esperam dar um sprint por setembro e outubro. Inclusive, o São Paulo só escreveu reservas e juniores na Sul-Americana.

Escrito por Luís Felipe

Agosto 12, 2008 em 1:10 pm

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