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O 12º jogador

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centroavante Luiz Carlos deve ser o 12º jogador do Inter

centroavante Luiz Carlos deve ser o 12º jogador do Inter. Fonte: AI Inter

A NBA dá um prêmio anual para o reserva que entra melhor nas partidas, considerado o “sexto” jogador. No futebol, a regra não é tão flexível quanto a substituições; mesmo assim, o treinador também precisa pensar no reserva que seja mais eficiente. Celso Roth tem Reinaldo exercendo essa função. Tite acredita que Taison seja o seu 12º atleta, mas não tem dado certo, especialmente por que ele é um jogador leve e rápido como todos os outros atletas ofensivos do Inter.

Tite ainda não entendeu que o seu time precisa de um centroavante nas horas difíceis. Jogadores virtuosos como Nilmar, Alex, D’Alessandro e Daniel Carvalho são capazes de fazer tramas rápidas, tabelas, chegar bem ao gol. Porém, diante de uma linha defensiva bem recuada e com marcação individual, o aproveitamento é pequeno. Some isso à dificuldade emocional do time em lidar com tarefas adversas durante a partida, devido ao não cumprimento das expectativas na tabela, o resultado é um Inter com muita pressa de finalizar e definir a partida, mas com poucas condições reais de fazê-lo. Algumas rodadas atrás, esta dificuldade se devia à desorganização do time, vitimado pela chegada de muitos atletas e pela indecisão de Tite quanto ao esquema. Agora, o Inter parece ter definido o esquema e as funções dos principais jogadores em campo. A desorganização tende a diminuir em condições normais de pressão.

Em condições piores, como o segundo tempo contra o Flamengo após o gol, é inevitável que o time se desorganize um pouco. Tite pode facilitar as coisas escalando um centroavante e colocando os três zagueiros nas suas posições mais corretas. Luiz Carlos demonstrou que, embora não seja um extra-classe, tem condições de cumprir uma função tática determinada. Contra o Flamengo, ele poderia trocar de posição com Nilmar, chamando para si a marcação de Fábio Luciano e liberando o atacante do Inter para pegar a bola de frente para o gol. Isso facilitaria as tabelas com D’Alessandro, Gustavo Nery (bastante ofensivo na partida) e Magrão. Tite colocou Adriano no lugar de Alex, ainda no intervalo (1-0 para o Inter) com a idéia de não mudar muito a característica ofensiva do time. Poderia, entretanto, recuar Nilmar para fazer a função de Alex e colocar Luiz Carlos. Optou por uma solução conservadora e errônea, pois Adriano foi inoperante na partida.

Quanto à defesa, Bolívar está sendo sacrificado na função de líbero. Nunca foi um jogador com muita qualidade técnica na saída de jogo; o período no futebol francês acentuou esse problema. Além do mais, tem posicionamento ruim; esse atributo é fundamental para o funcionamento do esquema com três zagueiros. Quando Danny – bastante lento, mas seguro – entrou no lugar de Índio, Bolívar foi deslocado para a posição certa. Então, o Flamengo passou a atacar nas costas de Marcão, outro jogador com problemas sérios de posicionamento e concentração. É natural o time ser atacado quando perde meio campo (saída de Magrão, outro erro de Tite) e adianta a defesa; não é natural a facilidade com a qual o Flamengo chutou contra o gol de Clemer.

Índio poderá fazer melhor a função de zagueiro pelo centro. Se este zagueiro for colocado atrás, Danny é a melhor opção. Pela esquerda, Tite terá de inventar novas alternativas. O seu quase-homônimo (Titi) mostrava que poderia jogar naquela posição. Nunca vi Álvaro Luiz atuar por ali, mas é uma possibilidade.

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Esse texto está baseado na hipótese de permanência de Tite, que necessariamente passa por uma vitória no Gre-Nal da Sul-Americana. Neste jogo, o Inter enfrentará os seus principais demônios nos últimos tempos – a desorganização tática, o desgaste físico, a necessidade de fazer jogadores caros produzirem em alto nível. O adversário não poderia ser pior. O Grêmio, além de ser um arqui-rival jogando em casa, é um time organizado (mesmo com os reservas), bem preparado fisicamente e que estará disposto a jogar defensivamente, aproveitando os erros do Inter. Em poucas palavras, é uma tremenda armadilha para Tite.

Neste jogo o treinador colorado poderá escalar Luiz Carlos, até por que é provável que Alex pare por um bom tempo. Entretanto, a questão anímica será o principal problema. O Inter precisa marcar gols para se classificar, fato que traz uma pressão significativa. Por outro lado, qualquer mínimo erro do treinador será visto pela torcida como uma catástrofe. Seja pelo mau rendimento da equipe, seja pelo fiasco de ser eliminado pelos reservas do rival. A identificação histórica de Tite com o Grêmio não ajuda em nada, também.

Tite está passando por um rio lotado de piranhas com um bote de plástico. Com alguma sorte e bastante força nos remos, poderá chegar a margem. Se vacilar, afundará.

Escrito por Luís Felipe

Agosto 26, 2008 em 11:00 am

Publicado em manhã

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