Para onde vai o sol?
Se Lula, em um dos seus arroubos verbais, disse que queria extirpar o DEM da política brasileira, sem precisar de qualquer arroubo o PSOL foi quase extirpado nas últimas eleições. Apesar dos dois senadores – que entrarão se Jáder Barbalho e Capiberibe perderem os recursos contra as suas candidaturas – o partido não conseugiu qualquer representatividade na eleição à presidência, ao contrário de 2006, e ainda perdeu nomes importantes como Heloísa Helena e Luciana Genro.
Com a candidatura folclórica de Plínio de Arruda Sampaio, que participou de todos os debates e recebeu um tempo razoável, digno de quem tinha representação no Congresso, o PSOL não conseguiu superar a marca do 1%. Mal conseguiu os votos de protesto. O razoável seria dizer que o candidato à presidência foi mal escolhido, mas Plínio representava exatamente o que é o PSOL hoje: um partido que sabe fazer oposição na sua acidez e quase deboche, mas cujas propostas de renovação do país têm cheiro de mofo.
Com o amadurecimento do capitalismo brasileiro e o bem estar da economia, o voto de protesto na esquerda só atrai os filhos do Plano Cruzado que continuam achando tudo errado, os sindicalistas, os estudantes, alguns professores e intelectuais. Não atrai mais o movimento de massa como o PT dos anos 80, forjado em um cenário de descontentamento social explícito.
Descontentamento este que hoje, é apenas forçado. O PSOL se fortalece quando combate governantes corruptos, pressionando pelo seu fim ou humilhando seus frutos. Porém, o dia-a-dia do trabalhador em relação ao PSOL resume-se a carros de som tentando dizer para você que sua vida está infeliz, ainda que a realidade não seja bem assim. É hora do PSOL deixar de imitar o PT dos 80 e cair na realidade: ou cai de boca no lumpén, nas classes E e Z, nas favelas, onde a vida REALMENTE está uma merda, ou começa a aceitar a sua realidade de partido de classe média e adota coligações com a “direita”. PSOL + PV seria uma combinação que ameaçaria um segundo turno em nível nacional, mas o PSOL não quis dar as explicações de Sarney Filho, Guilherme Leal, Gilberto Gil e afins.
Ou o amadurecimento forçado deixa o socialismo de lado ou o PSOL deve começar a fazer um partido voltado para os pobres mesmo, coisa que nem Brizola conseguiu fazer por inteiro. Sem isso, o partido corre risco de virar mais um nanico entre outros tantos.
Esse PSOL recauchutado, estilo PV da dona Marina, seria a mais deprimente das cenas.
Anônimo
junho 14, 2011 em 1:05 pm