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O silêncio que mata

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O PMDB gaúcho nasceu forte por que Paulo Brossard foi o primeiro a dizer, em rede nacional, que a Arena de Nestor Jost patrocinava torturas em prisões políticas, na eleição para senador de 1974. O PMDB gaúcho seguiu forte por que ao contrário do nacional, nunca deixou de se posicionar: patrocinou a abertura, as diretas, o Plano Cruzado e a constituição; bancou a candidatura de Collor e o conflito de mais de 100 dias com o Cpers em 1990; bancou as privatizações em 1994; e mesmo nos anos 2000, jamais deixou de se posicionar, mesmo a favor de Yeda Crusius ou contra a insana candidatura de Garotinho, do próprio partido, à presidência. O PMDB gaúcho se enterrou nessa eleição também por que Fogaça disse, na abertura da campanha, que optaria pela “imparcialidade ativa” na disputa à presidência – e isso, disse Fogaça, “não seria uma posição em cima do muro”.

Pois Fogaça não saiu do muro, e embaixo dele havia areia movediça. Até Pedro Simon, que passou todo o início de campanha dividido entre o necessário apoio a Dilma e o medo de associá-lo a Tarso, optou na última hora, dando uma justificativa qualquer, votar no Partido Verde de Marina Silva – que jamais compôs com o PMDB em momento algum de sua história. Ainda que o desempenho não tenha sido desastroso no legislativo, perder duas eleições seguidas para o governo no primeiro turno – a última, 30 pontos atrás do PT – é um massacre que obriga o PMDB a reformular, mudar ou mudar de vez.

Não havia, por exemplo, nenhuma explicação para tirar do páreo o único candidato que já havia começado campanha – Germano Rigotto – enquanto Fogaça cumpria suas obrigações no Paço Municipal de Porto Alegre. Quando Fogaça entrou na campanha, estava atrasado e sem quase nada para dar. Ainda que Rigotto tenha fracassado na candidatura ao senado por outro erro estratégico do PMDB – não lançar um segundo nome ao senado, que poderia ser até mesmo do PDT – ele estava, desde 2008, se posicionando como candidato natural do partido. E assim como Aécio Neves em âmbito nacional, caiu fora para atender interesses partidários.

Se o PMDB gaúcho sempre se posicionou, não havia motivo para ficar em silêncio. O murismo esmagou o PMDB e ainda tirou o partido do comando da prefeitura municipal. Nunca funciona, senhores. Desistam.

Escrito por Luís Felipe

outubro 5, 2010 às 6:00 am

Publicado em Sem categoria

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