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O PT voltou, mas não é mais aquele

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Na província o PT voltou, e deu uma surra. Desde 2002 o PT tem a maior bancada da Assembleia Legislativa, mas este ano o quadro acabou com um cenário antes impensável: são 14 deputados, contra 8 do PMDB e 7 do PP, seus rivais históricos com enorme tradição no interior. A vitória de Tarso não é exatamente uma surpresa, pois o homem que pisoteou Olívio em 2002 estava com a faca e o queijo na mão desde o início da Operação Rodin, que dividiu a base do governo e transformou Yeda em um monstro.

A surpresa está na vitória no primeiro turno e com uma imagem totalmente lulista – o Rio Grande do Sul sempre amou Lula, mas a votação do PSDB no primeiro turno foi alta aqui em 2006 e também em 2010 (40,59%).

A campanha de Tarso considera que a vitória se deu devido à campanha “redonda”, ou seja: coerente, concisa, sem margem para os erros de divisão e fragmentação que minaram o PT em outras tantas eleições – a mais recente para a prefeitura, na qual a direção nacional não apoiou Maria do Rosário e muitos militantes de relevância deixaram a candidata à própria sorte até o início do segundo turno.

Tarso se lançou como candidato ainda em 2009, viajando pelo interior, conversando com prefeitos, atraindo os partidos e negociando com as bases. Em um blog de um jornalista anti-petista está denunciada a “traição” de prefeitos como os de São Borja e Passo Fundo, ambos do PDT, mas que manifestaram apoio explícito à Dilma Rousseff e acabaram arrastando muitos dos seus eleitores para Tarso. Eventos como o apoio dos prefeitos do PMDB a Dilma na Amrigs, enquanto Fogaça se afundava na lama da “imparcialidade ativa”, também impulsionaram Tarso.

Com a iminência de uma vitória de Dilma no primeiro turno, o PT parece ter mobilizado bem a sua militância silenciosa – leia-se, os prefeitos de outros partidos e seus militantes – para angariar votos em troca de melhor diálogo. Não por acaso o “diálogo” foi a palavra-chave da Zero Hora na sua manchete: o jornal, que sempre criticou de forma áspera e muitas vezes injusta o “sectarismo” do PT cravou a palavra para comprovar que este PT, das bandeiras brancas e do logo de campanha azul com as cores de Piratini, não é o mesmo PT das bandeiras vermelhas, de Bisol, do relógio queimado, da Ford e de todo o resto.

Ainda que não seja o PT da ruptura, ainda é o partido; e como disse José Dirceu em relação a Dilma, com Tarso o partido tem mais força do que com muitos dos outros governantes. Mesmo com uma base forte, Tarso demonstrou que vai compor, e algumas composições parecem articuladas desde antes. Sérgio Zambiasi, por exemplo, não abriu voto para Paim e ausentou-se da campanha por acaso: dizem que ele está decidido em participar de um governo petista, e que isso teria provocado uma ruptura significativa no PTB. O PDT, derrotado no projeto Fogaça, foi assediado, dividiu-se com a adesão de Collares e provavelmente o flerte seguirá por muito tempo. O próprio PP poderá estar disposto a ceder, vetorizado por Beth Colombo e Mano Changes (!!!!!) que articularam a aliança com Jairo Jorge em Canoas.

Quando 2012 chegar, Tarso terá dois anos de governo; começará, então, a eleição para prefeito de Porto Alegre, que o PT tem tudo para levar novamente. A despeito do interminável poder de auto-sabotagem do PT, que adora se perder com prévias, divisões, brigas de correntes e desobediência à direção nacional quando a eleição está próxima, eu não estranharia se a Frente Popular, pela primeira vez, não fosse encabeçada pela estrela. Com uma provável vitória presidencial e o Piratini nas mãos, com muitos cargos já acomodados e muitas “estrelas” já posicionadas, seria inteligente o PT ceder a cabeça de chapa a Manuela D’Ávila, a deputada de mais de 482 mil votos. Neutralizaria o poder de uma eventual terceira força e daria um enorme poder de fogo à composição que manterá o Piratini.

Escrito por Luís Felipe

outubro 4, 2010 às 11:47 pm

Publicado em madrugada

Uma resposta

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  1. Também acredito que se deixarem o egloatrismo de lado, apóiam a Manuela. O PDT vai relançar o Fortunatti. Resta saber o que sobrou pro resto. As lideranças tradicionais do RS envelheceram. O fim do MDB do Simon é o fim de uma geração.

    marcelo benvenutti

    outubro 5, 2010 em 3:22 am


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