Internacional 2×1 Grêmio – análise e notas
Grêmio:
Victor: é muito bom goleiro, não teve culpa nos gols e ainda salvou um chute a queima-roupa de Andrezinho. Eu achei errada a estratégia do Grêmio na bola parada de D’Alessandro que resultou no gol – o goleiro, por ser o único que está de frente para a bola, deve ser soberano, deve se adiantar e socar a bola mesmo fora da pequena área. Mas não foi culpa dele. Nota 7.
Léo: Seguro, não deu muito espaço para Taison. Com a boa cobertura de Rafael Marques, é outro jogador. Nota 7.
Réver: Levou mais um baile do Nilmar. O time do Grêmio confia demais na sua capacidade técnica e parece que esquece da sua lentidão. Deveria ser expulso quando deu um carrinho em Nilmar enquanto ele partia para o gol. Foi violento, o que é normal quando acontecem derrotas pessoais somadas. Também fez um pênalti a cinco minutos de jogo. Jogou menos do que podia. Nota 4.
Rafael Marques: Dos três, é o mais limitado tecnicamente, mas não comprometeu em nenhum momento. Foi seguro, embora tenha sido envolvido na tabela rápida entre Nilmar e Andrezinho que resultou na defesa de Victor. Nota 6.
Ruy: É bom jogador. Apoiou com eficiência e qualidade, com algumas vitórias pessoais na marcação. Tudo o que se espera de um ala. Nota 7.
Fábio Santos: Mesma coisa que Ruy, com uma diferença: chegou mais ao ataque e com boa qualidade. Tem futuro na ala esquerda do Grêmio. Nota 7,5.
Diogo: É da mesma escola do Edinho, primeiro bate, depois joga. Caçou D’Alessandro toda a partida, com conivência da arbitragem, que deveria ter aplicado um cartão amarelo antes. Não vai acrescentar nada ao time do Grêmio. Nota 4.
William Magrão: Teve uma atuação mediana. Por um lado, conseguiu trancar Alex, que estava em outra dimensão; por outro, fez o gol contra e foi violento, ainda que em proporção menor do que Diogo. Nota 4.
Tcheco: Não foi brilhante. Deveria jogar mais recuado para aproveitar melhor o seu potencial. Levou perigo com algumas tabelas, mas não é um jogador de definição – não fez, portanto, o que faltava ao Grêmio. Nota 5.
Souza: Muito bem. Conseguiu personalizar o jogo, sendo a referência técnica do time, às vezes com lances de alta qualidade. Sempre definia a jogada, ou contribuía para que ela tivesse uma definição em escanteio ou gol. Pode ser o Roger que faltou ao Grêmio no final do campeonato passado. Nota 8.
Alex Mineiro: Foi bem, conseguiu algumas vitórias pessoais sobre Álvaro, mas faltou parceria. Não tinha com quem tabelar. Não dá para fazer a parede e depois passar para si mesmo. Nota 6.
Adílson: Ouvi críticas de gremistas a ele, as quais considero um pouco injustas. É voluntarioso, bateu também – mais por força das circunstâncias, por que lá pelas tantas todo mundo viu que poderia bater – mas é um acréscimo técnico em relação ao Diogo. Nota 5.
Jonas: Não é um grande atacante, mas é eficiente. O gol demonstra isso – estava no lugar certo e na hora certa. Teve um outro gol mal anulado. Deu o recado a Roth: é melhor ter outro atacante mediano do que outro volante ruim. Nota 7.
Reinaldo: Entrou na fogueira. Sem nota.
Celso Roth: A sua escalação conservadora foi prejudicada pelo gol logo no início, o que obrigou o seu time a atacar sem atacantes. Foi perfeito ao adiantar a zaga e manter a posse de bola, mas poderia ter sido mais ousado e retirar Diogo para colocar Jonas, já no primeiro tempo. Fez isso no segundo, acertando o time, mas a consequência natural da sua proposta de jogo – a exposição da zaga – teria consequências mais sérias com o cansaço dos defensores. Foi melhor que Tite, mas não o suficiente para vencer um time tecnicamente superior. Nota 6.
Internacional:
Lauro: Uma saída de gol equivocada e boas defesas em lances importantes. Não deixa saudades do Renan, mas precisa melhorar a comunicação na área. Nota 7.
Danilo Silva: Tímido. É limitado para apoiar e parecia um tanto perdido no primeiro tempo. Depois, se soltou e foi mais seguro, mas não acrescenta nada em relação ao Bolívar. Nota 5.
Álvaro: Teve algumas derrotas pessoais ao marcar Alex Mineiro. Tem dificuldades quando joga exposto, mesmo quando o adversário tem um só atacante. Dentro da área, porém, não comprometeu. Nota 6.
Índio: Foi um pouco melhor que seu companheiro na média, mas cometeu um erro imperdoável que resultou no gol do Grêmio. Não pode nunca prender a bola daquele jeito correndo em direção ao seu próprio gol. Por sorte, não influenciou no resultado. Nota 4.
Marcão: Nenhum acréscimo técnico e segurança defensiva mediana, mas abaixo do esperado. Nota 5.
Guiñazu: Quando escalado de primeiro volante, ao lado de Magrão, é menos jogador. Até por que é obrigado a cumprir as suas tarefas de marcação e compensar a lentidão de Magrão e a leniência de Alex e D’Alessandro. Foi melhor no segundo tempo, porque Andrezinho jogou mais recuado. Não apelou para a violência, o que é positivo. Nota 6.
Magrão: É um jogador lento demais para a segunda função. Tem bom posicionamento, porém, e conseguiu evitar que Tcheco chegasse mais perto do gol. nota 5.
Alex: desapareceu, tanto pelo fato de ser bem marcado – aí a contribuição positiva de William Magrão no jogo – quanto por estar com a cabeça bem longe do Colosso da Lagoa. Nunca tentou a grande jogada, o que foi o seu grande diferencial ano passado. Nota 4.
D’Alessandro: jogou bem e só não foi melhor porque foi caçado, com violência, durante toda a partida. Sua saída foi um erro de Tite, pois é o melhor jogador do time para lançar contra-ataques. Faltou, porém, a grande jogada. Nota 7.
Taison: Ineficiente no primeiro tempo, melhor no segundo, quando enfrentou uma defesa bem mais cansada e pôde aproveitar melhor a sua velocidade com a bola no pé, a sua melhor característica. Assim, decidiu o jogo, em linda assistência para Nilmar. Nota 8.
Nilmar: No primeiro tempo, a bola não chegou; no segundo, foi atrás dela, puxando contra-ataques. Venceu Réver algumas vezes. O seu gol, um chute muito forte, é a demonstração que neste ano, marcar gols está mais fácil para ele. Quanto mais confiante, maior será a sua contribuição. Nota 8.
Andrezinho: Melhorou o time por estar mais focado, mas não mudou muito. É mais rápido com a bola que Magrão e tem um bom posicionamento defensivo. Nota 6.
Kléber: No meio campo é um jogador burocrático. Na lateral, pode acrescentar. Nota 5.
Danny Morais: Entrou para espanar tudo. Sem nota.
Tite: Por incrível que pareça, o gol no início prejudicou a sua proposta tática, que era de atacar o Grêmio com a bola nos pés. O time recuou demais e ele ficou indeciso. Sua indecisão quase colocou tudo a perder, pois o time demorou a se recuperar. A troca de Alex por Andrezinho não alterou quase nada, pois o problema era a proposta tática: com a linha de quatro na defesa muito recuada, ou os meias jogavam mais próximos dos volantes ou a saída de bola era prejudicada pela afoiteza. Os meias continuaram distantes – com exceção de D’Alessandro, que recuava para buscar a bola e quase sempre levava falta – e a bola chegava morta no ataque. Seu maior erro foi tirar D’Alessandro para colocar o burocrático Kléber no meio campo. O erro acabou não comprometendo o jogo graças ao lance preciso de Taison e Nilmar. Nota 5.
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Arbitragem: Carlos Simon está demonstrando que é de um estilo ultrapassado. Tentou, nesse jogo, seguir a linha Vuaden, de deixar o jogo correr, mas o seu estilo contemporizador acabou tornando-o leniente com a violência. Poderia “deixar o jogo correr” se nos primeiros minutos aplicasse cartões amarelos nas faltas mais violentas que ocorreram. Como não fez isso, a certeza da impunidade vigorou na partida inteira. Os volantes do Grêmio – especialmente Diogo – bateram mais, por uma questão tática; no segundo tempo, o Inter começou a bater também, como se tivesse a certeza que não levaria os cartões que faltaram no primeiro. Não puniu lances perigosos (o chute de Souza no rosto de D’Alessandro), violentos e nem mesmo a imprudência. Perdeu o controle. Ainda por cima, foi premiado com um erro do auxiliar Marcelo Barison em um impedimento – embora tenha sido um lance difícil. Eu sou a favor dos árbitros não-gaúchos no Gre-Nal, por que eles costumam punir faltas violentas logo no início. Se isso não ocorre, o jogo perde critérios. Nota 3.
Perfeito, Luís. Só quero ressaltar que o Réver fazia um ótimo primeiro tempo, ganhando praticamente todas na cobertura. No segundo, exposto pela necessidade de atacar do time – que expunha a defesa aos contra-golpes colorados – foi envolvido.
Vicente Fonseca
Fevereiro 9, 2009 em 10:08 am
Vicente,
Sabia que discordaria no Réver. Eu fiquei surpreso por ver que CP e ZH deram notas boas a ele.
A questão, para mim, é que o Réver contra o Nilmar não pode nunca ficar descoberto. O Léo, que anda em má fase, estava sempre com a boa cobertura dele ou do Rafael e teve boa atuação. Em alguns lances Réver e Nilmar ficaram sozinhos, o que é inadmissível, sendo que Réver é um jogador muito mais lento. É a terceira vez que Nilmar leva vantagem pessoal sobre ele. Roth deveria ter resolvido esse problema.
Luís Felipe
Fevereiro 9, 2009 em 10:12 am
Claro, era um ponto que o Roth sacrificou em busca do empate, o que naquele momento era justificável. O que ficou completamente inadmissível foi manter este esquema kamikaze depois do 1 a 1.
O Léo cresceu muito no segundo tempo mesmo, ainda que no primeiro fosse envolvido algumas vezes. Meu esquema para o Grêmio seria um 4-4-2 em que ele, neste momento, seria banco. Acho que anda precisando parar e pensar um pouco na vida. Ainda mais que Rafaell Marques tem ido bem.
Vicente Fonseca
Fevereiro 9, 2009 em 10:58 am
O Grêmio tinha uma bola alçada na área por fazer e simplesmente se atirou pra frente, deixando Nilmar e Taison no mano a mano. Loucura. Erro primário.
Prestes
Fevereiro 9, 2009 em 4:41 pm