Archive for Dezembro 2008
Balanço da temporada da dupla Gre-Nal
Então tá, agora que acabou o ano, vamos nos ENSIMESMAR e fazer uma retrospectiva do que aconteceu de melhor e pior, com perpectivas para o próximo ano e toda aquela coisa natalina.

A conquista da Copa Suda. REUTERS/Sergio Moraes
INTERNACIONAL
MELHOR MOMENTO: A conquista da Copa Sul-Americana, depois de duas finais eletrizantes e dignas das grandes finais da história do futebol sul-americano.
PIOR MOMENTO: A derrota de 4×0 para o Vasco da Gama, depois rebaixado, em agosto. O Inter estava com todos os reforços em campo e com aquela derrota, demonstrou que não teria capacidade de chegar no grupo da Libertadores.
MELHOR JOGADOR: Alex, que decidiu várias partidas, foi o jogador com maior número de gols e assistências e apresentou uma capacidade de improviso típica dos craques.
PIOR JOGADOR: Daniel Carvalho. Não pela sua qualidade em si, mas pela decepção. Era um ídolo da torcida e foi afogado pela má forma física, a falta de vontade e as rusgas com o treinador.

A goleada para o Vasco com falha de Clemer. Foto Ig Esporte
O QUE LEVARÁ DE BOM DE 2008: Está com um time praticamente pronto para a próxima temporada, com exceção da lateral direita, pois Bolívar não ficará. Precisa de jogadores para compor o grupo, encontrar substitutos para prováveis vendas e outros jogadores importantes, como Guiñazu. Além do mais, acaba o ano com boa moral, pela conquista do título da Copa Suda.
O QUE DEVERÁ ESQUECER EM 2009: A política de montar um time novo na metade do ano; O investimento em empréstimos caros para 6 meses; os treinamentos em apenas um turno; metade dos jogadores das categorias de base que foram primeira opção em 2008; a falta de perspectiva de conquistar o título brasileiro.
POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES: O Inter provavelmente perderá alguns dos seus melhores jogadores por muito dinheiro, e aqui cito Alex, Nilmar, D’Alessandro, Guiñazu e num segundo momento, as promessas Sandro e Danny Morais. Por isso, o clube deve manter em mente que esses jogadores deverão ser substituídos por outros com capacidade de decisão.

O Gauchão não deve atrapalhar. Agência Preview
As fases decisivas da Copa do Brasil deverão ser disputadas ao lado da decisão do campeonato Gaúcho. Caso o Inter chegue em ambas, deve adotar times mistos. Isso não quer dizer jogar com time B (ou Z) como em 2007, mas poupar os atletas mais cansados ou com algumas dores. O Grêmio, por exemplo, ganhou o Gauchão em 1995 não com time totalmente reserva, mas com time misto (cerca de cinco titulares).
Outra coisa importante é pensar o ano visando a conquista do campeonato brasileiro. Isso quer dizer ajustar a preparação física para um sprint no final do ano. Necessariamente isso implicará em perdas em outras fases do ano, mas é fundamental priorizar a competição mais importante. O Inter tem de tirar vantagem da ausência da Libertadores no início do ano, não precisando usar força total nos três primeiros meses. Esse planejamento não deve ser alterado por eventuais negociações.
Outra coisa importantíssima é não se basear em torneios paralelos, como a Recopa ou a Suruga Bank. É legal ganhar mais competições internacionais que o Grêmio, ok. Só que ficar dois anos seguidos fora da Libertadores tornará o clube inviável financeiramente.
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Tcheco liderou o Grêmio no campeonato. Neco Varella/AFL
GRÊMIO
MELHOR MOMENTO: Quando o Grêmio venceu o Atlético MG por 4×0 no Mineirão, sagrou-se campeão simbólico do turno e favorito ao título nacional.
PIOR MOMENTO: A derrota para o Atlético Goianiense nos pênaltis, no primeiro semestre, forçou férias de um mês para o clube e colocou uma bigorna na cabeça de Celso Roth, até por ser a segunda eliminação consecutiva numa semana.
MELHOR JOGADOR: O goleiro Victor, que impressionou por pela regularidade e por ter as principais características relativas a um craque do gol: envergadura, estabilidade emocional, agilidade e habilidade com as mãos. Finalmente o Grêmio achou um substituto para Danrlei.
PIOR JOGADOR: Eduardo Costa foi diretamente responsável por dois desastres anímicos no Grêmio. Um deles em 2007, quando deu uma voadora em Claiton e ocasionou uma guerra que só foi terminar no Aeroporto. Outro em 2008, quando foi expulso de forma infantil contra o Juventude e ainda chamou os companheiros, sem sucesso, para brigar e melar a partida. Depois que saiu, assumiram a volância do Grêmio William Magrão e Rafael Carioca, que estabilizaram o setor no âmbito emocional e técnico.

Eliminação para o Atlético-GO mandou o time às férias. ClicRBS
O QUE LEVARÁ DE BOM DE 2008: O excelente trabalho de Celso Roth, a afirmação de um time titular que não será desmanchado pela janela de transferências, pois têm a sua base na excelência técnica e tática, não em valores pessoais. A afirmação de uma direção de futebol sólida, com Krieger e Rodrigo Caetano. A capacidade de fazer com que atletas de nível médio produzam o máximo possível por um espaço de tempo não tão curto.
O QUE DEVERÁ ESQUECER EM 2009: A instabilidade emocional que detonou o time no início do ano; o coitadismo que mobilizou o clube contra forças ocultas e não mobilizou o time para manter a postura de líder e provável campeão brasileiro; as divergências políticas que desuniram a cúpula do Grêmio em um momento fundamental para a conquista do título; as polêmicas desnecessárias nos casos da Arena e da violência entre as torcidas gremistas.
POSSÍVEIS COMPLICAÇÕES: O primeiro turno do campeonato brasileiro mostrou que o Grêmio tem capacidade de esticar a corda e levar isso adiante por meses a fio. Se Flávio de Oliveira conseguir fazer isso de novo na segunda fase da Libertadores, anda meio caminho em direção ao tricampeonato da América. Entre abril e junho, o time do Grêmio precisará de concentração total e a plena forma física será indispensável para isso. Será fundamental jogar os primeiros meses do ano a meio pau, com times reservas ou mistos, poupando lesões e dores mais fortes.

Victor foi o grande achado do Grêmio em '08. Valdir Friolin/RBS
É provável que o Grêmio perca jogadores na janela de transferências, como Rafael Carioca, Léo, Réver, Victor e Reinaldo. À exceção de Victor, nenhum desses jogadores é decisivo. O Grêmio deve então aproveitar o dinheiro recebido não para pagar dívidas, mas para conseguir jogadores equivalentes, em forma física e determinação.
Considerando que o Grêmio tem um grupo fácil e estar entre os 16 melhores da América é um passo fundamental para ser campeão, é complicado prever como será o campeonato brasileiro do Grêmio. Se não conseguir a vaga pela Libertadores, deverá lutar pela mesma vaga no campeonato, para manter o equilíbrio financeiro dos últimos anos e conseguir suprir as eventuais perdas com contratações semelhantes.
Outra coisa fundamental será contratar um outro jogador para exercer o papel de liderança técnica, ao lado de Tcheco, que demonstrou não ter condições físicas, técnicas e emocionais de levar essa função adiante por muito tempo. Esse jogador não é Souza, nem será Douglas Costa. É preciso encontrar um novo Roger, talvez mais barato e menos polêmico.