O Grêmio cansou

Flávio Oliveira trabalhou no surpreendente São Caetano em 2000/01. Foto: gremio.net
Quando virou o turno e o Grêmio apresentou aquele futebol todo (liderança, oito pontos de vantagem, melhor ataque e defesa) eu comentei neste sítio e em outros que o fato do Grêmio surpreender a si mesmo poderia prejudicar a campanha mais adiante. Especialmente em relação à preparação física.
A comissão técnica do Grêmio, aproveitando as férias forçadas e depois a pré-temporada de abril/maio, resolveu trabalhar com intensidade máxima no início do campeonato. Isso deu uma grande vantagem ao time, até pela competência dos seus profissionais (Celso Roth, ex-preparador; Flávio Oliveira, que era o preparador do surpreendente São Caetano em 00/01).
A questão é que esta vantagem superior não poderia ser mantida por muito tempo. No final do turno o Grêmio reduziu a intensidade dos treinos, para tentar manter a continuidade do time. Logrou êxito por um breve tempo, mas logo as lesões começaram a aparecer. Por conseqüência, o time acabou sendo alterado, o esquema tático também. Somando isso aos treinamentos com menor intensidade, é provável que o Grêmio tenha atuado nas últimas partidas sem trabalho tático aprimorado.
Alguém pode dizer: “ah, mas o Grêmio continua correndo até o final”. É verdade, o que demonstra mais uma vez a competência da comissão técnica. Só que para permanecer correndo, o time teve que treinar menos outras coisas. É uma equação inevitável em qualquer time.
O problema é que outros times, como Palmeiras, Cruzeiro e São Paulo, entraram no campeonato para disputar o título. Sendo assim, é provável que tenham trabalhado para usar a intensidade máxima nos treinamentos agora, antes das férias, trabalhando menos nos meses anteriores para evitar lesões. Imaginavam, com razão, que o momento para decidir era este; logo, pé no fundo do acelerador, as dores se resolvem nas férias. O resultado vemos a cada jogo: os três times estão muito mais concentrados e velozes que o Grêmio.
Acredito que isso tornará muito complicada a tarefa de conquistar o título. Quanto à vaga na Libertadores, o Grêmio só perderá se levar um golpe psicológico muito profundo. Nesta tarde, foram reveladas questões disciplinares complicadas no vestiário; isso não pode afetar o vestiário. Se afetar, o Grêmio tende a não encontrar forças de recuperação, o que causará um desastre. Mantendo o equilíbrio emocional, entra 2009 jogando a América – e como todo time brasileiro, entra como favorito.
Eu fiz um texto há pouco contrariando um pouca esta teoria de que a preparação física foi a causa da queda do Grêmio. Mas tu me deste alguns bons argumentos em contrário, que fazem todo o sentido. No entanto, ainda acho que as invenções rothianas (trocas constantes de esquema e improvisações desnecessárias, principalmente) foram as principais razões para isto. Talvez tenham sido também decorrentes da queda física.
Vicente Fonseca
Novembro 4, 2008 em 4:58 pm
Só que as trocas também são vitimadas pela falta de um treinamento adequado.
Segundo os manuais de futebol, seria impossível imaginar um jogador limitado como Pereira atuando de líbero – porém, a qualidade tática e física do time conseguiu diminuir as limitações deste jogador na saída com a bola. Uma coisa é pensar em passar para o lado bem fisicamente aos 40 do segundo tempo; outra coisa é pegar a bola extenuado e só pensar em livrar-se dela.
As trocas que Roth fez no time (algumas delas inadequadas) poderiam dar certo se o time treinasse muito. Mas não há mais o lastro que havia antes. Ainda há lastro, mas não há mais capacidade de dar o sprint final, de ultrapassar o limite. O Grêmio chegou num ponto crítico em termos de planejamento. Se ultrapassar o limite, corre risco de perder atletas e ver a estrutura tática se desmontar; ao mesmo tempo, não consegue encontrar soluções para as poucas perdas de atletas que sofreu.
É claro que o Roth se equivocou em algumas alterações, o que eu teorizo é que ele pode ter sido vítima de um equívoco conjuntural anterior.
Não é diferente com o Tite no Inter, mas eu não consegui escrever sobre isso hoje.
Luís Felipe
Novembro 4, 2008 em 11:14 pm
Claro, concordo. Uma coisa puxa a outra, sem dúvida. Tudo acaba influindo de um modo ou de outro. Só acho que algumas improvisações e até opções por jogadores mais precários fisicamente (caso notório de Orteman, por exemplo), foram mais um erro técnico que qualquer outra coisa. Mas enfim, é realmente um problema complexo, e este debate de pensamentos é importantíssimo.
Vicente Fonseca
Novembro 4, 2008 em 11:45 pm
aliás, pensando bem, não é sequer um equívoco, mas sim uma estratégia adotada lá no início que não previa resultados tão bons.
no campeonato de pontos corridos, esse tipo de coisa salta aos olhos. O Divino Fonseca escreveu sobre essa mesma teoria hoje.
Luís Felipe
Novembro 5, 2008 em 1:11 am
TODOS de luto com a subida do Barueri.
Menezes
Novembro 24, 2008 em 1:33 am