Terça-Feira

pílulas semanais

Archive for Setembro 2008

a imagem do jogo

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Anderson Pico dominando a bola

Anderson Pico dominando a bola

Este foi o lance que originou a falta que resultou no segundo gol do Inter, no Gre-Nal de domingo (4×1 para o Inter).

Imagem capturada do GloboEsporte.

Escrito por Luís Felipe

Setembro 30, 2008 em 2:24 pm

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confusão de papéis no jornalismo esportivo

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Todo mundo sabe que o corporativismo marcha em sentido oposto à informação. O que acontece, porém, quando a pessoa tem duas profissões, e os papéis de ambas se opõem?

Falo de Francisco Garcia, jornalista da Rádio Gaúcha e árbitro de futebol. A Gaúcha tem o saudável hábito de colocar jornalistas dos seus quadros em cursos de arbitragem para garantir uma opinião isenta e clara sobre o trabalho do homem de preto. O profissional estuda regras, tem experiência como árbitro e como auxiliar, enfim, o kit completo.

Só que como todo árbitro é um ser humano, Chico Garcia também erra. Um dos momentos em que isso aconteceu foi no jogo entre Grêmio e Atlético-PR no domingo retrasado, pelo campeonato Brasileiro. Zé Antônio deu carrinho por trás em Soares.

Na hora, comentando o jogo, Chico disse que não daria o pênalti pois Zé teria ido na bola. Persistiu com este comentário. Apareceu o replay. Ele seguiu, coerente, afirmando o mesmo até o final da transmissão.

Quando vi o lance na hora, não vi pênalti claro, como amador que sou, pelo simples fato que a bola foi atingida pelo jogador do Atlético. Depois, confiei no que me disse Garcia.

Só que Chico tem um blog, e postou sobre o lance ilustrando com um vídeo. O vídeo dá o recurso de ver uma, duas, duzentas vezes o mesmo lance, pausar na hora fatal, etc. No blog,ele chama o lance de normal e logo depois coloca o vídeo, que mostra exatamente o contrário.

O vídeo não deixa dúvidas: pênalti, claro, Soares é atingido antes da bola. Resultado: 213 comentários ofensivos, contestando duramente o trabalho de Garcia. Talvez percebendo o erro que cometeu, ele afirma em um post subseqüente:

“Ainda acho que o carrinho tenha sido na bola e não de forma temerária ou com uso de força excessiva. Minha interpretação é do lance rápido, na hora. Ou seja, não estou cravando que não houve nada. Estou apenas dizendo que se eu estivesse no campo, naquele momento, também não daria o pênalti.”

Aqui, o post. Garcia, a meu ver, cometeu um erro básico: confundiu os seus papéis profissionais.

O árbitro deve decidir sobre o lance na hora, é sua prerrogativa, ainda mais quando a regra não permite reavaliações. Foi o que Chico fez: na hora, da transmissão, decidiu. Só que sua decisão estava errada. Aí, o árbitro continuou agindo, inclusive na hora de colocar no blog, quando deveria  estar agindo o jornalista. O jornalista não pode divulgar uma informação que se comprova como errada.

Ao postar o esclarecimento e julgar como árbitro, Garcia deu a entender que viu o pênalti quando analisou o lance pela enésima vez. Aí, teria de agir como jornalista e esclarecer a sua opinião: foi pênalti, vi depois, como árbitro não daria, lance polêmico, etc. Era isso que o público precisava, saber a verdade. A confusão gerou 213 ofensas só entre os comentadores.

Não acredito que a função de comentarista de arbitragem perca sua utilidade por conta de erros como estes. Acredito que este comentarista deve dizer sempre o que está vendo, e se faz uso de milhares de replays, explique a situação aos seus leitores. Não dá é para informar erroneamente para manter uma atitude arbitral.

Escrito por Luís Felipe

Setembro 29, 2008 em 11:06 pm

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o blog não vencerá o rádio

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Acredito que o blog é uma ferramenta inovadora no jornalismo opinativo. Não no informativo. São muitos os meios mais ágeis na internet para divulgar notícias em primeira mão, sem forçar a barra.

Um fato primeiro que pode ser dito é a falta de interação com outros instrumentos. O Twitter, por exemplo, foi moldado para interagir com mensagens de texto via celular. Não existe streaming ao vivo para blogs por rádio, e mesmo as janelas que permitem um streaming de TV no blog são deficientes em relação aos grandes portais.

No Brasil, dá para contar nos dedos os blogs que ganham dos grandes portais na velocidade, se é que existem. Geralmente as páginas de grande credibilidade no meio são feitas por pessoas (jornalistas, muitas vezes) com ótimas fontes e grande capacidade de conseguir informações exclusivas – Noblat, Bob Fernandes, etc.

Aí a questão do jornalismo opinativo. Os blogs de grande audiência são atualizados por jornalistas com alguma credibilidade no meio e com capacidade de trazer informações novas para ANÁLISE. Não para informação, consumo direto. Para isso, eu procuro os grandes portais. Não vou ler em blogs as informações mais recentes sobre um acidente de avião em São Paulo, uma queda de arquibancada na Bahia. Procuro até o orkut, por motivos que em breve poderei discutir. Em que blog eu posso confiar para pegar essas informações instantâneas? Que palavras chaves vou digitar no google que me mostrem um site sendo atualizado em tempo real?

 Podem achar que isso é falta de atualização do Brasil em relação ao mundo. Ou então, do profissional de jornalismo em relação ao meio. Tudo bem. Eu particularmente acredito que é uma característica do meio em si.

Escrito por Luís Felipe

Setembro 23, 2008 em 4:10 pm

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campanha eleitoral para moderadores

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Os otimistas dizem que a internet revolucionou o mundo, que nunca houve democracia tão igual e que todos temos liberdade total de pensamento. Ok, vamos acreditar que sim. Aí pululam gritaredos contra o projeto mau, bobo e feio do senador Eduardo Azeredo que teria como intenção regular de forma governamental a internet. Ele não entende nada, gritam os otimistas. Vamos acreditar nisso também.
Só que eu estava lendo o blog da prof. Márcia Benetti e vi que apagaram o seu perfil no orkut, por supostamente violar um termo de uso. Lembro do meu histórico e percebo que já fui excluído de uma comunidade por dizer onde o dono trabalhava e excluído de outra por que enfim, eu levantei uma discussão que não estava de acordo com a moral e os bons costumes.

É claro, nada disso é “a internet”. Estamos falando de um caso específico de comunidade virtual. Porém, é claro que existe uma autoridade sem muitos critérios. Alguns destes critérios estão lá, nos famosos “termos e condições”, mas as comunidades não têm esses termos definidos, ou com algum valor legal. Logo, fazem alterações à revelia. Alterações nos membros que participam, inclusive.

Eduardo Azeredo pode estar lançando um projeto estúpido e infeliz. Só que ele é senador e foi eleito para isso. Está representando alguém. O moderador de uma comunidade não representa coisa nenhuma. O coordenador do orkut também não. São pessoas que estão lá por que chegaram primeiro, por que os outros adotaram suas idéias ou por outros quaisquer critérios de meritocracia muito diversos do processo democrático. Parece estúpido? Nada disso, é liberalismo puro.

Se um projeto como o do Azeredo for imbecil, na próxima eleição eu voto na oposição. No orkut, ou em outra comunidade, é ame ou deixe.Talvez por esse tipo de relação que está sendo desenvolvida, e aceita naturalmente, eu não seja um dos otimistas.

Escrito por Luís Felipe

Setembro 23, 2008 em 1:21 am

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EDIÇÃO EXTRA: análise do debate dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre, na Band, 18/09

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Excepcionalmente, o Terça-Feira publica este post na sexta, antes das pesquisas do final de semana e logo depois do debate da Band, ontem. A questão é que uma breve pesquisa entre as pessoas razoavelmente informadas sobre o processo eleitoral me mostrou que NINGUÉM viu o debate para a prefeitura de Porto Alegre ontem. Assim, acho necessário publicar as minhas impressões antes que elas fiquem obsoletas.

Uma vantagem dos debates da Band é a possibilidade dos candidatos dissertarem sobre temas livres. No passado, isto proporcionou momentos históricos, como o histórico embate entre Antônio Britto e Olívio Dutra em 1998 – “o meu oponente, representante do continuísmo, tergiversa”. O debate de ontem começou com a empresa cedendo espaço para representantes de classes (presidentes da OAB e da Câmara de Dirigentes Lojistas) perguntarem aos candidatos.
 
A partir do segundo bloco, o confronto direto. Tema livre, pergunta direta aos candidatos. No início deste bloco ocorreu uma conversa entre Carlos Gomes (PHS, trem-bala) e José Fogaça acerca das origens do Orçamento Participativo. Gomes teria sido o mentor da idéia lá no governo Collares (86-89) e Fogaça encontrou nisso uma excelente oportunidade para cutucar o PT. “O OP está plenamente consolidado, não é mais promessa de campanha. Não é uma bandeira partidária, e sim da cidade”, comentou o candidato à reeleição, tirando da manga de Maria do Rosário uma das principais cartas da campanha.
 
É importante destacar esta passagem por que ela revelou uma tendência do debate. Fogaça aproveitou muito bem a escolta de Carlos Gomes, neste momento, e de Nélson Marchezan Jr. Cabe uma consideração acerca de Marchezan. Sabendo ser um candidato um tanto inexpressivo na campanha e adotando a mesma tática de Cristóvam Buarque, como referido no último post sobre eleições, Marchezan não teve pudores em defender a administração de Fogaça. Em determinado momento, ao fazer uma pergunta para o atual prefeito, o candidato do PSDB pediu de Fogaça uma ANÁLISE CONJUNTURAL das eleições de Porto Alegre. Ao que Fogaça, no final da amena conversa, encheu o PPS – seu ex-partido e atual aliado da sua principal opositora, Manuela – de elogios.
 
Estava curioso para ver o embate entre Maria do Rosário e Manuela d’Ávila, logo após as pesquisas recentes que dão Manuela em pleno crescimento. O PT tende a ser um partido bastante seguro e até arrogante em debates, organizando um discurso geral quando na oposição – mas é novidade para o partido enfrentar um candidato de oposição mais forte em Porto Alegre. Ocorreram apenas dois embates diretos entre Manuela e Rosário, antigas aliadas de bancada quando no Congresso Nacional – uma pergunta de Rosário sobre o Araújo Vianna e uma pergunta de Manuela sobre as Parcerias Público-Privadas, pedida por Maria do Rosário. Em ambos, a candidata do PT atacou com força o PPS, aliado da comunista e partido de Berfran, Busatto e Paulo Odone. Em ambos, pesou a camiseta do PT e a experiência de Maria do Rosário.
 
Manuela não parecia muito à vontade fora do estúdio e dos palanques. Demonstrou alguma insegurança. Quando perguntada sobre o Araújo Vianna, falou da importância da revitalização e que vai convocar o Conselho Municipal para isso. Quando Rosário argumentou que o PT revitalizou o local e que o PPS teria privatizado o auditório, Manuela sentiu o golpe. Questionou a aliança do PPS com o PT em 61 cidades do Rio Grande do Sul. Rosário antes tinha dito como Manuela seguraria as “velhas raposas” com quem ela dividia o palanque, ao que Manuela respondeu que “quem representava a velha política era ela”.
 
Lembrem o que foi dito no final do quarto parágrafo. Os elogios de Fogaça ao PPS aconteceram logo após essa discussão. O eleitor ignorante mal sabe quem é o PPS e pouco lembra quem são Berfran e Busatto -porém, ele sabe o que é privatização. Manuela poderia ter contraposto Rosário com uma argumentação positiva em defesa do seu partido, mas resolveu argumentar com o velho “se eu sou suja, você é também”. Pega mal. Daí a intervenção de Fogaça mostra muita coisa – talvez a estratégia do PMDB seja levar Manuela como adversária no segundo turno, ao contrário do que preconizou Paulo Sant’ana.
 
No terceiro bloco, os candidatos pediam para algum outro candidato lhes fazer uma pergunta. Neste bloco, Onyx demonstrou que é o candidato mais disposto a confrontar Fogaça – bem mais que Maria e Manuela. Cobrou do prefeito reeleito a promessa não cumprida da Passagem Única, como fora dito em 2004. O atual prefeito não foi muito bem na sua resposta, dizendo que o projeto dos Portais da Cidade estava previsto para o próximo mandato – o que absolutamente não constava na promessa anterior. Foi praticamente o único deslize de Fogaça no debate, mostrando que a pasteurização da campanha deixou o atual governante com a guarda baixa para ataques mais incisivos. Onyx também criticou, no segundo bloco, o fato da prefeitura estar “abandonada”, com um líder que ninguém conhecia – João Batista, procurador do Estado, motivo de matéria na ZH de hoje. Fogaça pediu direito de resposta e argumentou – com razão – que Onyx, ao argumentar que o procurador não foi eleito por ninguém, desconhecia a Lei Orgânica do município.
 
No segundo embate entre Manuela e Rosário, a candidata comunista pediu para Rosário argumentar sobre a viabilidade do metrô em Porto Alegre e a importância das parcerias público-privadas para tocar o projeto. A petista ressaltou a importância do governo federal no projeto e argumentou, novamente, acerca da sua experiência e do conhecimento da capital. Manuela replicou falando que Rosário não poderia defender as PPPs se o PT votou contra isto na Câmara Municipal e que Maria do Rosário não poderia dizer que era dona “da verdade, dos projetos ou das emendas”. Ao que Rosário argumentou: “Não sou dona da verdade, mas tenho mais experiência”, levantando sua história de 15 anos com militante do PT e lembrando, inclusive, que o seu vice pediu o impeachment de Olívio Dutra.
 
Neste sentido, pontos a favor de Rosário. Primeiro por que levantou a bandeira de Olívio Dutra, um ícone de honestidade na capital. Depois por que além de adotar um discurso propositivo, conseguiu dar golpes certeiros, ao contrário dos de Manuela, que foram ignorados. Falta a Manuela a experiência necessária para encarar o ninho de cobras do debate televisivo. Em segundos, um minuto e meio, é necessário agredir com classe e ainda por cima sorrir para o tele-espectador. Manuela sorriu, mas não foi agressiva e foi menos segura que todos os demais candidatos.
 
Uma palavra sobre Luciana Genro: ela afirmou que os debates eram a sua carta na manga. De fato Luciana estava bem preparada nos debates, sorriu, agrediu os seus principais alvos (PT e Fogaça) e apresentou grande segurança. Só que a sua campanha carece de maior base, de concretude. Talvez a juventude do PSOL e a falta de bases afirmadas em todos os setores da sociedade prejudiquem o seu programa de governo. Isso sem falar na inexplicável chapinha nos cabelos, mas isso já é uma questão conceitual…
 
Considerações finais
 
Manuela cresce nas pesquisas e demonstra ser capaz de vencer José Fogaça no segundo turno. O DataFolha, porém, publicou uma pesquisa hoje mesmo dando empate entre ela e a petista. Acredito que a tendência é a campanha de Manuela cair nas retas finais, pois muitos dos seus eleitores não pensam nos contras da sua candidatura – inexperiência, relações partidárias, etc – e acabam votando pelo discurso positivo. A questão é se Manuela perderá eleitores para Fogaça – no segundo turno – ou para Maria do Rosário, no primeiro. Maria está demonstrando maior capacidade de pegar os votos dos eleitores que tinham uma tendência para a ex-líder da UJS, pois seu discurso é concreto e com uma agressividade moderada.
 
O problema é que ninguém mais assiste debates. Não há uma mobilização total como nos anos 90, e a mídia contribui com isso ao não repercutir as discussões que ocorrem em outras emissoras. O único debate que não passará despercebido é o último, na RBS, quando as perguntas serão sorteadas, sem a liberdade do debate da Band. Ou seja: tende a ser um programa bem pior que o de ontem.

Escrito por Luís Felipe

Setembro 19, 2008 em 4:39 pm

nunca mais

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São raros os momentos em que, ao parar para ver um show musical, temos certeza que estamos vendo a história sendo feita. Um desses momentos aconteceu quando do Live 8, em 2005. Em Londres, o Pink Floyd se reuniu depois de muitos anos (Waters, Gilmour, Mason e Wright) para interpretar meia dúzia de músicas para acabar com a pobreza mundial. Sobre o palco da soberba e histórica performance, uma frase: “No More Excuses”, que parecia servir muito bem para aqueles sexagenários. Não havia mais desculpas para o Pink Floyd não se reunir. Eram todos sexagenários ricos. Para quê vaidades?

Lembro de deitar no sofá de casa e assistir o show inteiro. Emocionei, confesso. Pink Floyd foi uma banda que aprendi a gostar desde o tempo em que escutava o P.U.L.S.E escondido do meu irmão no quarto dele. Vibrava com os desenhos da capa, o tamanho de Shine on You Crazy Diamond, os acordes sombrios de Astronomy Domine. Isso no início da minha adolescência. Fui conhecer a banda em todos os seus meandros bem depois.

É claro, o Pink Floyd nunca mais teria o brilho que o consagrou nos anos 70. Seriam incapazes de criar coisas tão estúpidas como um Ummagumma, ou tão geniais quanto um Dark Side of The Moon, um Animals. Não havia mais tesão, isso era nítido. Coleções de Ferraris, patrimônios de milhões de dólares, direitos autorais, a idade, enfim. Não é possível ser músico o tempo todo. Nem todos são Mick Jagger.

No coração do fã, entretanto, sempre existia aquela centelha de esperança. De um dia, quem sabe, estar por acaso na Inglaterra, nos Estados Unidos, no Canadá e saber que aquela reunião incrível do Pink Floyd iria acontecer justo naquela semana. Então, ver aquela celebração toda, e sentir um pouquinho o que foi o legado daqueles quatro homens na história da música mundial.

Essa pequena centelha, tímida, obscura, se apagou nesta segunda. Morreu Richard Wright, 65 anos.

A pequena e tímida chama tornou-se uma minúscula, envergonhada dor.

Escrito por Luís Felipe

Setembro 15, 2008 em 9:56 pm

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pitacos eleitorais

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mais musa do que prefeita? foto da Nova Corja.

mais musa do que prefeita? foto da Nova Corja.

Preteou os zóio da gateada, diria mestre Olívio Dutra empunhando uma cuia na janela do seu lar, ali na Assis Brasil. A Methodus deu 21% a 16% pró-Manuela, que ainda tem uma rejeição menor. Enquanto isso, Fogaça navega em mar aberto, com vento a favor e sol a pino.

Rosane de Oliveira acertou na semana passada, comentando a pesquisa do Ibope (23 a 16, pró-Manuela) quando disse que não havia apenas um motivo para a derrocada. Ao contrário de 2004, quando a intervenção de Duda Mendonça e seu malufismo venderam um Raul Pont que nunca existiu, a campanha de marketing de Maria do Rosário não parece violentar a inteligência do porto-alegrense. É fato que a deputada parece um tanto pasteurizada, mas isso era previsto. A questão é que a candidata de 42 anos não desperta o apelo emocional da juventude de Manuela, 27. Rosário traz consigo o ônus dos 16 anos de governo sem o bônus de um descontentamento real da população com o governo atual. Quem acha que Porto Alegre está bem vê o mérito de Fogaça nisso, muito por conta da campanha midiática subjetiva que ocorre desde janeiro.
Necessário somar isso à leniência da direção nacional petista, temerosa de conflitos com o PCdoB – responsável por importantes cargos no governo Lula, como os de Jussara Cony e Édson Silva – e anestesiada pelo envolvimento dos seus melhores quadros no governo federal. Porto Alegre, que há vinte anos era a única grande cidade com governo petista, não parece mais ser uma cidade tão importante nos planos do partido. Especialmente depois da derrota de Miguel Rossetto, considerado por alguns um verdadeiro baluarte da ética e da moral do PT Old School. Enquanto Lula toma partido em lugares como Canoas, defendendo a candidatura de Jairo Jorge, em Porto Alegre não pretende se meter. 

 

A militância mais aguerrida envelheceu. A juventude divide espaço com a UJS (PCdoB) e o PSOL. A grande esperança de Maria do Rosário repousa nas vilas e favelas, onde as pesquisas não entram. Mesmo assim, é pouco provável que uma desvantagem de sete ou cinco pontos seja superada por estes votos. Aumentar a agressividade é um objetivo que pode dar certo, mas não seria a hora do PT nacional participar mais da campanha? Lula tem 64% de aprovação no Datafolha. As classes A e B da cidade podem torcer a cara para o presidente, mas ganhando de Manuela em C e D, dá para reverter. 

 

Outra coisa: errei quando falei de Onyx. Ele não tem mais qualquer chance de chegar no segundo turno. Como colorado, o candidato do DEM deve ver na sua campanha alguma semelhança com o time do Inter neste campeonato brasileiro: tinha tudo pra dar certo, mas faltou saber como. Ele conseguiu o que nenhum outro parlamentar/candidato conseguiu nos últimos dois anos: inseriu o seu nome na mídia, como defensor da ética e da moral e como o homem que estudou para ser prefeito. 

 

A candidatura própria de Marchezan Jr. pelo PSDB, motivada pelo conflito Yeda/Feijó, fez com que a campanha começasse errada. Não obstante, o nome indicado para seu vice foi Mano Changes. Ok, Mano tem uma grande influência no público jovem, na teoria poderia dar o carisma que faltava a Onyx. Só que aparecer como vice-prefeito e colocar um “demorô” no jingle é bem complicado para uma chapa de direita. O deputado do DEM perdeu a seriedade necessária para conquistar o seu público (classes A e B) e deixou o caminho livre para José Fogaça conquistar esses votos por osmose. Imagino que José Fortunati é um nome bem mais palatável entre o público conservador do que um cantor de funk. 

 

Surpreende a altíssima rejeição de Vera Guasso, a maior de todos os candidatos. Isso mostra, porém, que o PSTU está ficando conhecido. Luciana Genro perdeu um tanto da sua credibilidade com a chapinha nos cabelos e o discurso propositivo, incongruente com o motivo da sua fama. Marchezan Jr., representando um partido inexpressivo na capital e sem querer vínculos com o governo Yeda, tenta usar o estratagema de Cristóvam Buarque em 2006 – pegou um tema, saúde, e morrerá abraçado com ele. Diante de tantos erros, a campanha de José Fogaça é como o time do Grêmio: joga no erro dos adversários e especula.

Escrito por Luís Felipe

Setembro 15, 2008 em 12:59 am

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