Archive for Setembro 2008
a imagem do jogo
Este foi o lance que originou a falta que resultou no segundo gol do Inter, no Gre-Nal de domingo (4×1 para o Inter).
Imagem capturada do GloboEsporte.
confusão de papéis no jornalismo esportivo
Todo mundo sabe que o corporativismo marcha em sentido oposto à informação. O que acontece, porém, quando a pessoa tem duas profissões, e os papéis de ambas se opõem?
Falo de Francisco Garcia, jornalista da Rádio Gaúcha e árbitro de futebol. A Gaúcha tem o saudável hábito de colocar jornalistas dos seus quadros em cursos de arbitragem para garantir uma opinião isenta e clara sobre o trabalho do homem de preto. O profissional estuda regras, tem experiência como árbitro e como auxiliar, enfim, o kit completo.
Só que como todo árbitro é um ser humano, Chico Garcia também erra. Um dos momentos em que isso aconteceu foi no jogo entre Grêmio e Atlético-PR no domingo retrasado, pelo campeonato Brasileiro. Zé Antônio deu carrinho por trás em Soares.
Na hora, comentando o jogo, Chico disse que não daria o pênalti pois Zé teria ido na bola. Persistiu com este comentário. Apareceu o replay. Ele seguiu, coerente, afirmando o mesmo até o final da transmissão.
Quando vi o lance na hora, não vi pênalti claro, como amador que sou, pelo simples fato que a bola foi atingida pelo jogador do Atlético. Depois, confiei no que me disse Garcia.
Só que Chico tem um blog, e postou sobre o lance ilustrando com um vídeo. O vídeo dá o recurso de ver uma, duas, duzentas vezes o mesmo lance, pausar na hora fatal, etc. No blog,ele chama o lance de normal e logo depois coloca o vídeo, que mostra exatamente o contrário.
O vídeo não deixa dúvidas: pênalti, claro, Soares é atingido antes da bola. Resultado: 213 comentários ofensivos, contestando duramente o trabalho de Garcia. Talvez percebendo o erro que cometeu, ele afirma em um post subseqüente:
“Ainda acho que o carrinho tenha sido na bola e não de forma temerária ou com uso de força excessiva. Minha interpretação é do lance rápido, na hora. Ou seja, não estou cravando que não houve nada. Estou apenas dizendo que se eu estivesse no campo, naquele momento, também não daria o pênalti.”
Aqui, o post. Garcia, a meu ver, cometeu um erro básico: confundiu os seus papéis profissionais.
O árbitro deve decidir sobre o lance na hora, é sua prerrogativa, ainda mais quando a regra não permite reavaliações. Foi o que Chico fez: na hora, da transmissão, decidiu. Só que sua decisão estava errada. Aí, o árbitro continuou agindo, inclusive na hora de colocar no blog, quando deveria estar agindo o jornalista. O jornalista não pode divulgar uma informação que se comprova como errada.
Ao postar o esclarecimento e julgar como árbitro, Garcia deu a entender que viu o pênalti quando analisou o lance pela enésima vez. Aí, teria de agir como jornalista e esclarecer a sua opinião: foi pênalti, vi depois, como árbitro não daria, lance polêmico, etc. Era isso que o público precisava, saber a verdade. A confusão gerou 213 ofensas só entre os comentadores.
Não acredito que a função de comentarista de arbitragem perca sua utilidade por conta de erros como estes. Acredito que este comentarista deve dizer sempre o que está vendo, e se faz uso de milhares de replays, explique a situação aos seus leitores. Não dá é para informar erroneamente para manter uma atitude arbitral.
o blog não vencerá o rádio
Acredito que o blog é uma ferramenta inovadora no jornalismo opinativo. Não no informativo. São muitos os meios mais ágeis na internet para divulgar notícias em primeira mão, sem forçar a barra.
Um fato primeiro que pode ser dito é a falta de interação com outros instrumentos. O Twitter, por exemplo, foi moldado para interagir com mensagens de texto via celular. Não existe streaming ao vivo para blogs por rádio, e mesmo as janelas que permitem um streaming de TV no blog são deficientes em relação aos grandes portais.
No Brasil, dá para contar nos dedos os blogs que ganham dos grandes portais na velocidade, se é que existem. Geralmente as páginas de grande credibilidade no meio são feitas por pessoas (jornalistas, muitas vezes) com ótimas fontes e grande capacidade de conseguir informações exclusivas – Noblat, Bob Fernandes, etc.
Aí a questão do jornalismo opinativo. Os blogs de grande audiência são atualizados por jornalistas com alguma credibilidade no meio e com capacidade de trazer informações novas para ANÁLISE. Não para informação, consumo direto. Para isso, eu procuro os grandes portais. Não vou ler em blogs as informações mais recentes sobre um acidente de avião em São Paulo, uma queda de arquibancada na Bahia. Procuro até o orkut, por motivos que em breve poderei discutir. Em que blog eu posso confiar para pegar essas informações instantâneas? Que palavras chaves vou digitar no google que me mostrem um site sendo atualizado em tempo real?
Podem achar que isso é falta de atualização do Brasil em relação ao mundo. Ou então, do profissional de jornalismo em relação ao meio. Tudo bem. Eu particularmente acredito que é uma característica do meio em si.
campanha eleitoral para moderadores
É claro, nada disso é “a internet”. Estamos falando de um caso específico de comunidade virtual. Porém, é claro que existe uma autoridade sem muitos critérios. Alguns destes critérios estão lá, nos famosos “termos e condições”, mas as comunidades não têm esses termos definidos, ou com algum valor legal. Logo, fazem alterações à revelia. Alterações nos membros que participam, inclusive.
Eduardo Azeredo pode estar lançando um projeto estúpido e infeliz. Só que ele é senador e foi eleito para isso. Está representando alguém. O moderador de uma comunidade não representa coisa nenhuma. O coordenador do orkut também não. São pessoas que estão lá por que chegaram primeiro, por que os outros adotaram suas idéias ou por outros quaisquer critérios de meritocracia muito diversos do processo democrático. Parece estúpido? Nada disso, é liberalismo puro.
Se um projeto como o do Azeredo for imbecil, na próxima eleição eu voto na oposição. No orkut, ou em outra comunidade, é ame ou deixe.Talvez por esse tipo de relação que está sendo desenvolvida, e aceita naturalmente, eu não seja um dos otimistas.
EDIÇÃO EXTRA: análise do debate dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre, na Band, 18/09
Excepcionalmente, o Terça-Feira publica este post na sexta, antes das pesquisas do final de semana e logo depois do debate da Band, ontem. A questão é que uma breve pesquisa entre as pessoas razoavelmente informadas sobre o processo eleitoral me mostrou que NINGUÉM viu o debate para a prefeitura de Porto Alegre ontem. Assim, acho necessário publicar as minhas impressões antes que elas fiquem obsoletas.
nunca mais
São raros os momentos em que, ao parar para ver um show musical, temos certeza que estamos vendo a história sendo feita. Um desses momentos aconteceu quando do Live 8, em 2005. Em Londres, o Pink Floyd se reuniu depois de muitos anos (Waters, Gilmour, Mason e Wright) para interpretar meia dúzia de músicas para acabar com a pobreza mundial. Sobre o palco da soberba e histórica performance, uma frase: “No More Excuses”, que parecia servir muito bem para aqueles sexagenários. Não havia mais desculpas para o Pink Floyd não se reunir. Eram todos sexagenários ricos. Para quê vaidades?
Lembro de deitar no sofá de casa e assistir o show inteiro. Emocionei, confesso. Pink Floyd foi uma banda que aprendi a gostar desde o tempo em que escutava o P.U.L.S.E escondido do meu irmão no quarto dele. Vibrava com os desenhos da capa, o tamanho de Shine on You Crazy Diamond, os acordes sombrios de Astronomy Domine. Isso no início da minha adolescência. Fui conhecer a banda em todos os seus meandros bem depois.
É claro, o Pink Floyd nunca mais teria o brilho que o consagrou nos anos 70. Seriam incapazes de criar coisas tão estúpidas como um Ummagumma, ou tão geniais quanto um Dark Side of The Moon, um Animals. Não havia mais tesão, isso era nítido. Coleções de Ferraris, patrimônios de milhões de dólares, direitos autorais, a idade, enfim. Não é possível ser músico o tempo todo. Nem todos são Mick Jagger.
No coração do fã, entretanto, sempre existia aquela centelha de esperança. De um dia, quem sabe, estar por acaso na Inglaterra, nos Estados Unidos, no Canadá e saber que aquela reunião incrível do Pink Floyd iria acontecer justo naquela semana. Então, ver aquela celebração toda, e sentir um pouquinho o que foi o legado daqueles quatro homens na história da música mundial.
Essa pequena centelha, tímida, obscura, se apagou nesta segunda. Morreu Richard Wright, 65 anos.

A pequena e tímida chama tornou-se uma minúscula, envergonhada dor.
pitacos eleitorais

mais musa do que prefeita? foto da Nova Corja.
Preteou os zóio da gateada, diria mestre Olívio Dutra empunhando uma cuia na janela do seu lar, ali na Assis Brasil. A Methodus deu 21% a 16% pró-Manuela, que ainda tem uma rejeição menor. Enquanto isso, Fogaça navega em mar aberto, com vento a favor e sol a pino.
