Archive for Agosto 2008
factóide
Não há nada mais útil para discutir na UFRGS. Por isso, os alunos estão dispostos a levar adiante baboseiras como essa.
Qual é exatamente a intenção do Movimento Estudantil Liberdade (!) ao entrar com representação no MPF para apagar a inscrição? Uma pressão em cima do SAE, que não vê nada demais na coisa? Por que a ZH publica uma matéria de um terço de página sobre um assunto tão fútil?
Digamos que a matéria atende aos interesses do MEL. O objetivo não era outro senão aparecer na mídia e conseguir algumas opiniões positivas dos leitores que opinam no jornal – quase todos conservadores. Vejamos, entretanto, a essência da coisa. O movimento considera ofensiva uma frase que pergunta para que, ou para quem, serve o conhecimento adquirido pelo aluno.
Então, o movimento não está interessado nessa pergunta? O MEL acredita que o aluno não deve perguntar isso para si, para os colegas ou professores? Seria o MEL um movimento favorável à alienação dos estudantes no Campus?
O 12º jogador
A NBA dá um prêmio anual para o reserva que entra melhor nas partidas, considerado o “sexto” jogador. No futebol, a regra não é tão flexível quanto a substituições; mesmo assim, o treinador também precisa pensar no reserva que seja mais eficiente. Celso Roth tem Reinaldo exercendo essa função. Tite acredita que Taison seja o seu 12º atleta, mas não tem dado certo, especialmente por que ele é um jogador leve e rápido como todos os outros atletas ofensivos do Inter.
Tite ainda não entendeu que o seu time precisa de um centroavante nas horas difíceis. Jogadores virtuosos como Nilmar, Alex, D’Alessandro e Daniel Carvalho são capazes de fazer tramas rápidas, tabelas, chegar bem ao gol. Porém, diante de uma linha defensiva bem recuada e com marcação individual, o aproveitamento é pequeno. Some isso à dificuldade emocional do time em lidar com tarefas adversas durante a partida, devido ao não cumprimento das expectativas na tabela, o resultado é um Inter com muita pressa de finalizar e definir a partida, mas com poucas condições reais de fazê-lo. Algumas rodadas atrás, esta dificuldade se devia à desorganização do time, vitimado pela chegada de muitos atletas e pela indecisão de Tite quanto ao esquema. Agora, o Inter parece ter definido o esquema e as funções dos principais jogadores em campo. A desorganização tende a diminuir em condições normais de pressão.
Em condições piores, como o segundo tempo contra o Flamengo após o gol, é inevitável que o time se desorganize um pouco. Tite pode facilitar as coisas escalando um centroavante e colocando os três zagueiros nas suas posições mais corretas. Luiz Carlos demonstrou que, embora não seja um extra-classe, tem condições de cumprir uma função tática determinada. Contra o Flamengo, ele poderia trocar de posição com Nilmar, chamando para si a marcação de Fábio Luciano e liberando o atacante do Inter para pegar a bola de frente para o gol. Isso facilitaria as tabelas com D’Alessandro, Gustavo Nery (bastante ofensivo na partida) e Magrão. Tite colocou Adriano no lugar de Alex, ainda no intervalo (1-0 para o Inter) com a idéia de não mudar muito a característica ofensiva do time. Poderia, entretanto, recuar Nilmar para fazer a função de Alex e colocar Luiz Carlos. Optou por uma solução conservadora e errônea, pois Adriano foi inoperante na partida.
Quanto à defesa, Bolívar está sendo sacrificado na função de líbero. Nunca foi um jogador com muita qualidade técnica na saída de jogo; o período no futebol francês acentuou esse problema. Além do mais, tem posicionamento ruim; esse atributo é fundamental para o funcionamento do esquema com três zagueiros. Quando Danny – bastante lento, mas seguro – entrou no lugar de Índio, Bolívar foi deslocado para a posição certa. Então, o Flamengo passou a atacar nas costas de Marcão, outro jogador com problemas sérios de posicionamento e concentração. É natural o time ser atacado quando perde meio campo (saída de Magrão, outro erro de Tite) e adianta a defesa; não é natural a facilidade com a qual o Flamengo chutou contra o gol de Clemer.
Índio poderá fazer melhor a função de zagueiro pelo centro. Se este zagueiro for colocado atrás, Danny é a melhor opção. Pela esquerda, Tite terá de inventar novas alternativas. O seu quase-homônimo (Titi) mostrava que poderia jogar naquela posição. Nunca vi Álvaro Luiz atuar por ali, mas é uma possibilidade.
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Esse texto está baseado na hipótese de permanência de Tite, que necessariamente passa por uma vitória no Gre-Nal da Sul-Americana. Neste jogo, o Inter enfrentará os seus principais demônios nos últimos tempos – a desorganização tática, o desgaste físico, a necessidade de fazer jogadores caros produzirem em alto nível. O adversário não poderia ser pior. O Grêmio, além de ser um arqui-rival jogando em casa, é um time organizado (mesmo com os reservas), bem preparado fisicamente e que estará disposto a jogar defensivamente, aproveitando os erros do Inter. Em poucas palavras, é uma tremenda armadilha para Tite.
Neste jogo o treinador colorado poderá escalar Luiz Carlos, até por que é provável que Alex pare por um bom tempo. Entretanto, a questão anímica será o principal problema. O Inter precisa marcar gols para se classificar, fato que traz uma pressão significativa. Por outro lado, qualquer mínimo erro do treinador será visto pela torcida como uma catástrofe. Seja pelo mau rendimento da equipe, seja pelo fiasco de ser eliminado pelos reservas do rival. A identificação histórica de Tite com o Grêmio não ajuda em nada, também.
Tite está passando por um rio lotado de piranhas com um bote de plástico. Com alguma sorte e bastante força nos remos, poderá chegar a margem. Se vacilar, afundará.
A África do Sul é logo ali
Wianey Carlet, após Argentina 3×0 Brasil, fora o baile:
“O Celso Roth arruma essa seleção”
me racha a cara
acordo, vou ler ZH.COM e vejo a manchete:
Volantes do Grêmio impressionam pelo baixo número de faltas
semana passada eu publiquei um artigo que diz exatamente o inverso, como vocês leram abaixo. Então, como assim baixo número de faltas? Leio o subtítulo:
Somados, Rafael Carioca e William Magrão têm seis cartões amarelos em 34 partidas
bem, isso é verdade. Só que número de faltas é diferente de número de cartões. Bem diferente. Inclusive, a matéria não fala em nenhum momento nesse número de faltas. A manchete está errada. O certo seria “Volantes do Grêmio tem baixo número de cartões amarelos”.
vou atrás das estatísticas do Globo Esporte, fonte do meu artigo anterior:
William Magrão: 46 faltas
Rafael Carioca: 45 faltas
Sendo que o jogador que mais cometeu infrações no campeonato – Preto, da Portuguesa – tem 60, não é exatamente um baixo número impressionante.
Eu sempre vejo as médias falta/jogo e falta/desarme. A primeira mostra quem é mais infrator e quem é melhor no desarme limpo.
William Magrão tem 1,91 na média falta/desarme. Rafael Carioca tem 1,125.
Em comparação, o mais faltoso em números absolutos – Preto – tem 2,22. A média de Rafael Carioca é muito boa. Mas Magrão está próximo do jogador mais faltoso do campeonato.
Na média falta/jogo, Magrão tem 3,285. A média do mais faltoso, Preto, é de 3,33. Muito próximas.
Vejam o que a matéria diz:
Em vez de pancadas, Magrão faz gols. Fez três neste Brasileirão.
O jogador, de 21 anos, admite que, em 2007, a falta de ritmo o forçava a cometer faltas. Agora, em campo mais seguidamente, consegue “chegar antes nos lances”. Para ele, o estilo do Grêmio facilita seu trabalho.
A matéria faz pior. Através de uma informação errada, induz um discurso do jogador que não corresponde à realidade.
O ideal para a matéria seria falar com Rafael Carioca, já citado- a média de 2,25 por jogo é ideal para um volante – ou mesmo Tcheco, que tem uma impressionante média de desarmes. São 2,7 por jogo, 0,85 em falta/desarme, o que indica muita qualidade defensiva.
futebol
escrevi dois artigos sobre futebol no Opinião Esportiva, site do André Baibich.
no primeiro, falo sobre a péssima idéia de Tite em adotar as duas linhas de quatro. Se quiser ver com as figuras, clique aqui.
no segundo, uso as estatísticas do campeonato para tirar Edinho do time e descobrir um dos segredos da grande campanha gremista.
ainda acredito que o Grêmio não será campeão. Muito disso tem a ver com a preparação física. O Grêmio visivelmente forçou a barra nos trabalhos físicos neste primeiro turno, por algum motivo relacionado ao planejamento inicial – que certamente não previa uma disputa do título. Agora, a tendência é decair, enquanto os times que se prepararam para conquistar o título (Palmeiras, São Paulo, Cruzeiro) esperam dar um sprint por setembro e outubro. Inclusive, o São Paulo só escreveu reservas e juniores na Sul-Americana.
ovelha negra
bueno, sobre a novela das nove. Confessei antes que estava assistindo. Na última semana, não vi.
fiquei um tanto indignado com a mudança de rumo. Eu e o Flávio Ricco, do Canal 1, que é uma fonte bem mais adequada. Escreve para o Correio do Povo todos os dias, desde que os bispos inventaram o “Arte & Agenda”.
o que me deixou mais incomodado nem foi a alteração bizarra e nunca dantes vista na trama. A novela tem a oportunidade de aprofundar ou diminuir preconceitos sociais graves, contra homossexuais, negros e etc. Teve a chance de mostrar a reabilitação de uma ex-presidiária como mote principal. Não o fez. Pelo contrário: acentuou o discurso corrente na mídia de que preso tem que apanhar, ser torturado, morrer, entre outras coisas, por que o mal é o mal e o cidadão de bem é o cidadão de bem.
A Rê, além disso, considerou uma aposta arriscada. Muitas das espectadoras da novela são mães; e um dos temas principais da novela é que a mãe do assassinado (Glória Menezes, como Irene) estava errada. Ora, mães são muito intuitivas. Mães nunca estão erradas quanto àquilo que ninguém sabe ao certo. Esse é o pensamento da grande maioria do público da novela. Tremendo risco.
viva o teclado ABNT
esse blog nasceu torto.
é impossível colocar TERÇA FEIRA na barra de endereços. O cedilha não é lido no anglicismo do navegador. Nem um espaço. Daria para colocar um hífen? Confesso que nem tentei.
sendo o navegador um inglês duro e formalesco, ele me dá algo como TERCAFEIRA como título.
TERCAFEIRA me lembra TER uma CAFEIRA, que seria uma CAFETEIRA a MANIVELA ou coisa do gênero.
por que o FETE seria algo não apenas mais chique, como mais feminino. Uma cafeira seria um objeto um tanto mais pobre e masculinizado.
Enfim, não temos cafeiras por aqui.
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Às vezes informar o simples é mais significativo do que inventar o difícil.
Comparação: A Zero Hora fez uma matéria grande sobre o atentado terrorista de ontem. Muita informação sobre os novos e modernos aparelhos repressivos que a China utiliza para conter os revoltados. Como existem poucas informações sobre o ataque – reclamação presente no penúltimo parágrafo do texto, página 4 – o jornal usa o prudente “teria” na hora de falar do ataque.
O Correio do Povo, no segundo parágrafo da capa, explica rapidamente: onde aconteceu, o que representa a cidade onde aconteceu, quem mora nessa cidade, o que eles reivindicam e o que o governo chinês pensa deles.
Claríssimo, sem rodeios.
A matéria foi copiada da EFE. Encontrei reproduções dela no site Jornale e no Estadão.
De acordo com tudo o que aprendemos na faculdade, isso é errado. Porém, me senti melhor informado.
A saber:
Habitada por 8 milhões de pessoas da etnia muçulmana uigur, Xinjiang é uma das principais fontes de gás e petróleo da China e busca a independência para formar uma nova república centro-asiática. Os uigures, de religião muçulmana, cultura indo-européia e língua turcomana, acusam a maioria han de colonizar e repreender seus costumes. Em Xinjiang operam vários grupos independentistas que, segundo Pequim, são uma das principais ameaças à segurança da Olimpíada, que começa sexta-feira.
baixaria
“Dentro dos corredores dos hospitais e clínicas, boatos da vida profissional e pessoal são comuns. Apesar das divergências claras, os três concordam numa questão: o nível das eleições não é dos melhores.”
Durma-se com um barulho desses. Até de assédio sexual masculino já falaram nessa eleição médica.
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Assisto novela das nove, pelo menos uma vez por semana. É bem mais divertido do que imaginava.
Aceleraram a trama por que a audiência andava fraca. A idéia era fazer da Patrícia Pillar uma mártir, uma injustiçada, seis meses brigando atrás do prestígio perdido por conta da maioridade na cadeia. Só que a Globo percebeu que até a transa da Ximenes com o Raymond tinha mais sucesso. Então, vamos acabar com essa historinha policial de uma vez e partir para a putaria.
Ontem, o capítulo acabou com a Cláudia Raia apontando uma arma para a mulher de Ciro Gomes. Isso depois de cenas muito vistas nas novelas da Televisa – ou ela ou eu, você não é mais minha mãe, etc. Como os atores globais são bem melhores que os mexicanos, a trama fica divertida e interessante.
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a idéia é fazer um post toda terça-feira.
