Terça-Feira

pílulas semanais

Archive for Outubro 2006

eleições

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Lula de novo. Na minha opinião, o debate da Band aliado à maior presença dele na campanha foram fatores decisivos para a vitória. Quando foi para o embate direto com o sapo barbudo, Alckmin até perdeu votos. Por que Lula é um grande ator, e o presidente com o discurso mais concreto, tangível, para o povo brasileiro. Recheado de metáforas, imagens que o trabalhador do Brasil pode ver no seu cotidiano. É para este eleitor que Lula falou sempre. E vai continuar falando por mais quatro anos. Também é uma derrota da mídia. Não há denúncia que resista a um discurso bem feito.
 
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Aqui no Sul elegeram uma governadora paulista, mestre em economia, repleta de acadêmicos nos seus quadros e que ainda não pagou as contas da sua campanha, tendo inclusive passado cheques sem fundo para 54 dos seus 60 membros da equipe. Temo pelo funcionalismo estadual. Economistas costumam ver as questões de governo de forma pragmática, não duvido que a governadora não vá descontar a crise na folha de pagamento. Contracheques sem fundo? Não duvidaria.
 
Mas o gaúcho é do contra mesmo, e não há candidatura que resista a uma política bem feita de alianças. O PT continua pagando caro pela sua autenticidade no Rio Grande do Sul. Fechado ao PDT e aos eleitores de Rigotto, nada restou. Ainda assim, Olívio Dutra conseguiu 44% dos votos no Estado. Quase 20% de votos a mais do que no primeiro turno.
 
Tudo isto se deve, principalmente, à figura de Olívio Dutra. Homem íntegro, honesto, sério, de passado irretocável. Capaz de se distanciar das falcatruas do PT nacional e de abraçar Lula sem sujar a roupa. Homem de esquerda, a figura arquetípica do gaúcho. Esta eleição tirou as dúvidas acerca do grande equívoco petista de 2002, um equívoco que mudou a cara do partido no Sul para sempre. Rigotto não venceria Olívio naquele ano. Como não venceu Olívio nesta eleição. Com a ascensão de Yeda, os antipetistas viraram a casaca, ficaram apenas os eleitores autênticos do PMDB, os que acreditam no projeto, os que se identificam com a imagem. E aí, Olívio venceu Rigotto. Enganou também os que acreditavam num massacre de Yeda, com a transferência avassaladora dos votos de Rigotto para o PSDB. Pois milhares desses votos foram para o PT. Mais interessante é observar que Alckmin teve uma votação muito significativa, uma vantagem de 10 pontos percentuais no segundo turno e bem mais que isto no primeiro turno. Ou seja: não foram poucos os eleitores que votaram em Alckmin e em Olívio Dutra no mesmo pleito.
 
Era uma tarefa quase impossível vincular o governo Yeda ao governo Britto. Desde então se passaram oito anos. A herança nefasta da venda desenfreada do Estado era uma realidade distante, graças aos governos Olívio e Rigotto, que administraram a crise galopante do Estado sem provocar mais crise para os sucessores – ou seja, sem vender o que resta de patrimônio público. Neste sentido, um segundo turno com o PT também foi deveras útil. Foi preciso prometer milhares de vezes que o Banrisul não está à venda. Uma eventual venda do Banrisul no governo Yeda será um desastre político - provavelmente não o seria não fosse o PT o adversário neste segundo turno.
 
Foi o fim de um ciclo para o PT gaúcho, e a consolidação de outro para o trio PMDB-PP-PSDB. O PT terá de aposentar algumas velhas figuras. Olívio não concorre mais a cargo majoritário. Forçando um pouco a barra, poderá concorrer a prefeito de Porto Alegre – onde venceu a eleição com vantagem apertada, mas venceu, como Tarso não o fez. Eu votarei nele para senador da república em 2010. Acho que este é o cargo para onde ele tem que se candidatar, o Congresso precisa de gente como ele. No trio acima aparece um PMDB enfraquecido e magoado. Enfraquecido por que ficou em cima do muro e não convenceu ninguém, magoado por que muitos dos seus importantes líderes debandaram para se aliar ao PSDB, em busca de cargos, traindo a ideologia que restava. Mas um ciclo se consolida para o trio: é melhor colocar dois candidatos de situação, de preferência um que não fede nem cheire, para ganhar do PT. Com a insígnia de Aécio Neves no horizonte para assumir a presidência, uma possível reeleição do PSDB não é descartável.

Escrito por Luís Felipe

Outubro 30, 2006 em 6:47 pm

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e não ter a vergonha de ser feliz

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Quase tudo o que poderia ser dito sobre este momento foi dito pela Renata, no seu blog. Mas acho fundamental que vocês saibam um pouco mais sobre o que eu penso de ser pai, além dos três apavorados e misteriosos posts abaixo.
 
Bom, não é fácil se acostumar com a idéia. Milhares de coisas passam pela cabeça, é muito estranho tomar decisões para toda a vida. Aos 21 anos, sem a faculdade concluída, sem emprego fixo, etc, etc, é ainda mais estranho. Mas como disse a Clau no blog da Renata, as coisas sempre acontecem na hora que têm de acontecer. Determinismo bobo? Talvez seja. Mas é bom pensar um pouco na vida, e perceber algumas coisas que baseiam essa opinião.
 
Qual é a hora certa? Quem garante que daqui a alguns anos a gente não tenha uma vida completamente indefinida e sem perspectivas? Quem pode garantir que ter um filho aos 35 é melhor, sendo que ele pode ser um adolescente de 15 revoltado com a falta de compreensão dos pais? Quem garante que aos 30, eu e a Renata não estaríamos correndo demais, nos vendo muito pouco, sem tempo nem coragem para amar uma criança como ela deve ser amada? São apenas exemplos. Não estou dizendo que todos vocês que lêem este blog devem começar a fazer filhos agora. Mas a Clau e a Renata traduziram o pensamento que também é o meu, a hora certa de ter um filho é a hora em que se tem.
 
Penso também o quanto será bom viver ao lado da Renata, ficar ligado para sempre com ela, através desta criança. Certa vez, conversando no Parangolé, chegamos a uma conclusão curiosa. Tínhamos a impressão de que a nossa relação não acabaria, simplesmente, como os nossos namoros anteriores. Que seria uma relação para toda a vida. Que não acabaríamos o namoro simplesmente – se um dia nosso amor se findasse, seria uma separação, quiçá com um filho no meio. Não consigo hoje ver um momento em que a nossa relação possa findar. Pelo contrário: fico feliz que ter esse filho será um passo para morarmos juntos, consolidando essa relação tão importante para as nossas vidas.
 
Tudo será um grande e maravilhoso aprendizado, é assim que espero. Esta criança será muito amada, por nós, pelas nossas famílias, até pelos nossos amigos, pelo que posso ver nas pessoas que já sabem da novidade. Tenho a nítida impressão de que será uma experiência maravilhosa. Não será nada fácil, nada simples construir uma família. Mas como bom ariano, prefiro quando as coisas não são fáceis :-)

Escrito por Luís Felipe

Outubro 20, 2006 em 3:03 pm

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18h39

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Todas as decisões dessa vida são efêmeras. Todas. Tanto que comecei esse post e já não são mais 18h39.
 
As consequências, sim, são eternas.

Escrito por Luís Felipe

Outubro 10, 2006 em 6:46 pm

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no fim das contas

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talvez os fatos que estão por vir sejam apenas uma prevenção, para não deixar de seguir os caminhos traçados pelo destino.

Escrito por Luís Felipe

Outubro 9, 2006 em 10:15 pm

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novidades

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A sensação de saber que a vida vai mudar drasticamente é estranha. Ao confiar nas minhas impressões, eu não sei se fico triste por perder a vida que passou ou feliz pela vida que virá. Sei, porém, que a angústia para saber se a minha intuição está correta é muito grande. 

Escrito por Luís Felipe

Outubro 9, 2006 em 2:37 pm

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a bipolaridade

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A política gaúcha e brasileira sofre de transtorno bipolar. Ora PT, ora PSDB. Até o Rio Grande do Sul foi contaminado.
 
 
Piadas infames à parte, a derrota do atual governador Germano Rigotto é a coisa mais incrível que eu já vi numa eleição. Semana passada, Rigotto caminhava galopante rumo ao segundo turno, Yeda e Olívio se digladiavam. Parecia que nada daria certo para a matriarca dos Crusius, com a queda do Chico Santa Rita e o calote na sua equipe de Rádio e TV, onde ela assinou cheques sem fundo para os empregados. Eis que ela revela algum crescimento, escorada no massacre que o Chuchu Alckmin deu no sapo barbudo aqui no Sul. Eis que a candidatura estagnada de Olívio Dutra demonstra que não suportará a ascensão da paulista.
 
Então saem duas pesquisas. Uma pesquisa da Revista Voto, que revela Yeda na frente de Rigotto e Olívio caindo fora do segundo turno. Uma pesquisa do Correio do Povo mostrando Yeda em empate técnico com Rigotto e Olívio Dutra marchando em direção ao fracasso.
 
Essas duas pesquisas mudaram a eleição, a meu ver. Por que a militância desacordada do PT resolveu ir às urnas e, silenciosamente, depositar sua fé no galo missioneiro, com medo de uma polarização entre a direita e o centro. Eu sou um destes. Fui militante do PT desde que me conheço por gente, fazia boca de urna pro Tarso aos sete anos, fui num comício pela primeira vez aos nove. Votaria nulo para governador, em protesto à grande farsa que se revelou o PT no poder. Ao ver a possibilidade de Yeda no segundo turno, a paulista que deu calote nos seus empregados, resolvi engolir em seco e votar no menos pior. Tenho certeza que no mínimo 5% dos eleitores do Estado fizeram a mesma coisa.
 
Mas este não foi o único fator, do contrário daria Rigotto e Olívio, como todos esperávamos. Houve também o anti-petismo, que voltou com toda a força, embora silenciosamente. O anti-petismo migrou milhares de votos de Rigotto para Yeda, na esperança que o PT fosse escorraçado do segundo turno. Inclusive meu chefe Ilgo Wink liderou uma dessas campanhas de migração no fim da semana passada. Burros n’água. Yeda realmente passou a patrola em Olívio, mas o galo missioneiro foi ao segundo turno. A Rigotto, líder em todas as pesquisas, restou uma despedida com lágrimas e dignidade do Palácio Piratini, segundo refletiu a sua entrevista coletiva.
 
Alguns prevêem um massacre de Yeda sobre o bigode no segundo turno. Não duvido que isso aconteça. Há muito pouco tempo para um debate capaz de mudar radicalmente as intenções de voto da maior parte do Estado. No fim das contas, é o PT contra o anti-petismo, novamente. Com dor no coração, vou de PT. Por que Olívio é um cara honesto e não posso dizer o mesmo de Yeda.
 
Foi por pouco, mas deu segundo turno na presidência. A meu ver, a ausência de Lula no debate foi definitiva para a sua derrota. Sim, por que ir para o segundo turno com Geraldo Alckmin, o candidato mais insosso da história da república, é uma grande derrota. Quando faltou ao debate, Lula tripudiou da opinião pública, achando que seria presidente independente das suas idéias. Será, mas antes vai ter de encarar o chuchu diante das câmeras. Para vencer o sapo barbudo, o Alckmin vai ter que negar a sua história, partir para o confronto direto, pisar nos calos do presidente e vestir a capa de moralizador do Brasil. Confrontando a experiência de ambos na política, duvido que isto aconteça. Se dezenas de escândalos não conseguiram derrubar Lula até agora, não será em 20 dias que isto acontecerá. E no embate frontal, vence o sapo.
 
Mas eu anularei.

Escrito por Luís Felipe

Outubro 2, 2006 em 3:34 pm

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