Terça-Feira

pílulas semanais

Archive for Maio 2006

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Isso é um teste para ver se consigo postar por e-mail

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Escrito por Luís Felipe

Maio 30, 2006 em 6:02 pm

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MANIFESTO

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A chinelagem era o momento festivo dos alunos da fabico. Alguns diziam happy hour, festinha. Tanto faz. A origem ninguém sabe – quando chegamos já estava ai – mas sabemos que era tradicional. Certas coisas já nascem tradicionais. Assim que saiam da aula o povo se reunia ali no dacom e no saguão pra dar uma descontraída, tomar um breja barata, bater um papo, dar uma chacoalhada e coisas do gênero. Tudo acontecia ali pelo térreo, sem maiores problemas. O diretório juntava uns pilas com a venda do trago, não alterava muito o cotidiano do prédio já que terminava cedo e o pessoal se divertia: bom pra todo mundo. Agora não tem mais: a direção não permite. Porque? Reforma do prédio. Mas a chinelagem não era ali no térreo, onde, de reforma, só temos portas laranjas? Isso mesmo. NÃO ENTENDEU NADA? NEM NÓS.

E assim fez-se a chinelagem marginal. Fruto da vontade de várias pessoas no reestabelecimento do evento, a idéia do protesto surgiu repentinamente, sem comando, sem uma organização formal, sem um cabeça. Surgiu e tomou corpo. A idéia era fazer um protesto nos moldes da tal festinha, mostrando que dá pra reunir o povo por ali sem causar problemas pra ninguém. O plano era ficar ali pela frente do prédio, batendo papo e curtindo um som, que obviamente seria improvisado na hora. REUNIMOS ALGO EM TORNO DE 100 ALUNOS. O som atrapalhou uma aula e foi imediatamente cessado, com o devido pedido de desculpas. Sem alternativas os alunos acharam que poderiam ocupar o espaço que lhes é destinado na faculdade, o diretório, pra se reunir, dançar e seguir com o protesto-festivo. ESTAVAM ENGANADOS. A segurança tentou, inexplicavelmente, barrar o nosso acesso ao prédio às nove horas da noite. Argumentamos que não estávamos fazendo nada de mais, já que éramos alunos e o horário era de funcionamento da faculdade. Não houve jeito: ordens superiores. Seguramos a porta com o pé e entramos pacificamente. Gritamos, por alguns instantes, algumas palavras de ordem, como manda o manual do bom protesto, mas nada que se compare as torturantes sessões de impressão da gráfica. Quem viveu, sabe. Sonzinho ligado, a moçada pôs-se a bailar. Enquanto o pessoal curtia, uma comissão de alunos pediu pra falar com o diretor, que “não foi localizado”. Uma pena. Resolvemos sair já que O CONTATO COM O DIRETOR FOI FRUSTADO. Os alunos que mais estavam afim de ver a volta do famoso regabofe fabicano e se disponibilizaram a estabelecer um diálogo com direção assinaram uma lista de presença do protesto e foram embora faceiros.

E o diálogo veio na forma de uma comissão que vai JULGAR os alunos que cometeram INFRAÇÕES, devidamente sacramentadas por uma certidão de ocorrência redigida pela segurança da faculdade sem a presença de alunos. Resumindo: o conselho da unidade usou como base a declaração de apenas uma das partes para decidir abrir um processo administrativo CONTRA OS ALUNOS que, pacificamente, protestavam contra uma atitude do diretor da fabico. Grande diálogo! Pois ouçam bem cambada; não se pode mais reclamar na fabico! E quem não gostar vai direto pro SOE!

A universidade é um local para fomentar o crescimento intelectual e cultural, definida pelo Artigo 2º do Estatuto da Instituição como “(…) expressão da sociedade democrática e pluricultural, inspirada nos ideais de liberdade, de respeito à diferença e de solidariedade (…)”. Nós, alunos que apoiamos a realização das chinelagens na nossa ainda querida fabico, acreditamos que algumas idéias presentes nesse artigo do nosso estatuto não estão sendo devidamente respeitadas com o estabelecimento dessa comissão de forma tão abrupta e intransigente. Não temos a intenção de afrontar ou desrespeitar a direção ou os membros do conselho da unidade. Queremos, sim, o restabelecimento do diálogo franco, direto e amistoso com o diretório estudantil e com os alunos desta faculdade.

DCE, DACOM E ALUNOS

Escrito por Luís Felipe

Maio 22, 2006 em 10:01 pm

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pequenos arrepios

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pode me matar, Luís Milman (será que ele ainda procura seu próprio nome no google?): eu estou entre os fãs d’A Banda do Chico. É um musiquete, uma peça de nenhuma sofisticação ou laboro, mas me emociono toda vez que escuto. Não uma daquelas emoções “eu vivo esse momento lindo” do Roberto Carlos – aquele pequeno e sutil arrepio que às vezes passa pelas costas. Sei lá, o ritmo alegre, inocente e despreocupado d’A Banda me comove. Parece uma lembrança de um tempo onde não haviam processos administrativos e prestações de contas na minha vida. E olha que eu nem conhecia a canção quando era pequeno.

Outra coisa que me comove são homenagens. Eu sei que de cada 10, 8 são hipócritas, mas como deve ser legal merecer uma coisa dessas. Ontem por exemplo aconteceu a partida de despedida do futebol do centroavante Alan Shearer, do Newcastle. Shearer foi um grande goleador, fez mais de 200 gols na Premier League, mas não ganhou um título importante sequer pelo seu clube. Mesmo assim, lá estavam 52 mil pessoas que pagaram um ingresso caro – até mesmo para os padrões britânicos – vendo o time num amistoso e cantando o tempo todo para consagrar o ex-jogador. Não sou torcedor do Newcastle, mas me emocionei vendo aquilo.

Tenho de escrever um texto sobre futebol inglês até o dia 19. Acho que tomarei este fato como tema principal.

Escrito por Luís Felipe

Maio 12, 2006 em 2:14 pm

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A pena máxima

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não estou entre os fãs do Paulo Sant’ana, acho que ele pouco entende da maior parte das coisas que escreve. Mas algumas das suas intervenções são excelentes, como a coluna da Zero Hora de hoje:

—-

Foi condenado à prisão perpétua o único acusado de participar dos atentados de 11 de setembro de 2001, em que foram desabadas as duas torres do centro de Nova York. O francês de origem marroquina e negro Zacarias Moussaoui vai cumprir sua pena numa cela estreita do Complexo Correcional Florence, prisão de segurança máxima do Colorado, considerada pelo Guinness como a mais segura do mundo.

Moussaoui, ao que parece, não participou dos atentados, mas confessou que sabia deles e nada fez para evitá-los. Ele demonstrou no tribunal ser um homem desequilibrado mentalmente, mas isso não impediu que fosse condenado ao que eu considero a pena máxima: prisão perpétua sem direito a condicional.

Por que eu acho que a pena máxima é a prisão perpétua sem direito a condicional e não a pena de morte? Vejam o caso desse incrivelmente réu único dos atentados que abalaram o mundo em setembro de 2001: ele vai passar até o fim de seus dias 23 horas por dia sozinho em uma cela de 3,5 metros por 2 metros. Na hora seguinte, nem direito a sol terá, vai poder realizar exercícios físicos dentro de uma câmera de concreto.

Na cela, terá uma escrivaninha, o vaso sanitário, e a cama, todos de concreto. O chuveiro se desliga automaticamente para evitar que o preso cause alagamento. Alguns desses detentos dessa superprisão têm direito a um aparelho de televisão em preto e branco, que transmite somente programas educacionais e missas. Eu pergunto: de que adiantam programas educacionais para um homem que nunca será ressocializado?

As refeições são entregues ao preso com o mínimo de contato. A prisão tem 1,4 mil portas de aço com controle remoto, detectores de movimento e câmeras escondidas. É inteiramente cercada de arame farpado, monitorada com raio laser e vigiada por cães. Ativistas dos direitos humanos dizem que ao longo do tempo todos os presos sofrem de paranóia, depressão, ansiedade e alucinações.

Isto é uma pena incomensuravelmente mais cruel do que a pena de morte. Isto é condenar um homem à loucura. Os castigos a que são submetidos os condenados ultrapassam em todos os sentidos a privação de liberdade. Será que o Estado tem o direito de apenar uma pessoa sem dar a ela a mínima chance de esperança? Ou o limite do castigo a que o Estado tem o direito é o de confiná-la, impedindo-a de que goze o direito de ir e vir e qualquer contato com o mundo exterior?

Além da privação de liberdade, o Estado tem o direito de não permitir que um preso até a morte tenha contato com outra pessoa? Nesse caso da prisão perpétua norte-americana, o condenado nunca mais terá o direito de conversar com outra pessoa. Será que o Estado tem o direito de não permitir que uma pessoa nunca mais troque idéias com outra pessoa? Não será isso uma condenação à animalidade, freqüente no meio humano quando isolamos em jaulas animais ferozes, pitorescos ou aves de penas e trinados diferenciados.

De minha parte, embora eu saiba que caminho no contrafluxo atual, quando todos desejam o pior para os condenados, acho indevido e triste que o Estado inflija a qualquer homem a tortura durante a prisão. A pior de todas as torturas: a permanente, com a consciência do preso de que jamais dela se livrará. Entendo que a privação da liberdade já é o maior de todos os castigos. É indescritivelmente injusto que um condenado não possa na prisão almoçar ou trabalhar na companhia de outros presos. Tirar a liberdade, compreendo, até mesmo porque implica declarar que o preso seria nocivo e perigoso no convívio social. Não compreendo e me revolta a condenação à solidão.

Escrito por Luís Felipe

Maio 8, 2006 em 2:53 pm

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K7

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Certa vez, inventei uma música em inglês, algo sobre o amor. Era para a guria que me fez parar de beber e começar a transar, a maior parte dos adolescentes faz o inverso mas eu era diferente demais. Até por que meu avô me criou experimentando as cachaças de alambique que fazia, depois que se aposentou pelo Meridional. Inclusive nossa primeira boa transa foi lá, em cima da tampa de um tacho de madeira gigante onde ficava o bagaço da cana. Era verão. Quente pacas.

A música deve ser inspirada em alguma cena daquela tarde. Não encontrei nada explícito em relação a cana e à minissaia dela, mas encontrei um “I leave myself in the hands inside your blue jeans”. A minissaia era jeans, isso eu lembro. Também lembro que alongava aquele “blu jiiiiiins” até ficar bem delicado, como aqueles guris que cantavam e dançavam juntos de cabelos pro lado e cara de bebê. Sei lá, era por volta de noventa e seis, tinha vários desses.

Ela foi gravada numa fita cassete com o nome da guria, Janaína. Acho que não tinha nome pior para se cantar em inglês. Lá pelas tantas eu arrisco um “janie”, tipo aquela música do Aerosmith que tocava nas madrugadas da Atlântida. Mas porra, de Janaína pra Janie é uma atrocidade, não sei como ela não me largou. Lembro que ela ouviu numa noite muito fria, no quarto do ap dela na Francisco Trein, depois a gente saiu pra fumar com uns amigos, sendo que ninguém tragava, só o guri que comprou o maço de Free. Coisa de guri besta mesmo: largar um momento romântico onde ela se derretia ouvindo a primeira música que fiz pra ela – em inglês, ainda – pra encher a cara de fumaça no frio. Mas ela gostava, isso que importa.

O mais triste é que eu não sabia tocar violão. Meu primo tocou pra mim e eu cantei, acompanhando com uma meia-lua. Já pensou que vale pagamos? Ainda bem que não tinha nenhum irmão mais velho pra fazer chantagem.

Dia desses encontrei a Jana na fila do Tudo Fácil. Tava renovando a carteira do IPE do filhinho dela, dois aninhos, coisa mais querida. Victor é o nome dele, mesmo nome do meu primo que tocou o violão naqueles quatorze anos. Será coincidência? Eu espero. Ciúme de primo é uma coisa que nunca acaba, ainda mais pra gente ressentida como eu. O pai do guri é um cara que apareceu na minha formatura de colégio com jaqueta de couro, desde então nunca mais falei com ele, por que era um daqueles guris que trabalhavam e eu não simpatizava com essa gente aos 17. Até por que ninguém tinha uma mãe que bancasse uma jaqueta de couro, logo ele só podia ganhar pra isso. Morava a duas quadras da minha casa, mas eu preferia falar com a Jana no caminho da casa dele do que com ele. Lembrei o nome da criatura quando ela me falou “O Nícolas nem tem tempo de vir aqui, tá trabalhando que nem um burro lá no Conceição…”. A partir dali não prestei mais atenção. Me chocou o fato de conhecer alguém que se chama Nícolas e tem mais de cinco anos de idade. Deve ser por isso que não simpatizava com ele, tinha nome de criança.

Mas tava feliz, ela. Aquela felicidade de moças novas cuja barriga cresceu um pouquinho, não andam mais tão emperiquitadas e falam bem menos que antes. A felicidade do sorriso verdadeiro e do tom de voz amável e profundo da conversa, aquela conversa que não dá vontade de terminar. Um dia quero levar a fita pra ela rir bastante. Capaz até de guardar, até o Nícolas arrebentá-la numa crise de ciúme.

Escrito por Luís Felipe

Maio 3, 2006 em 12:29 am

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