Archive for Março 2006
as coincidências
previstas no antepenúltimo post foram ótimas. O Ilgo agora é meu chefe e o trabalho no Cremers é bem interessante. Mas posto mais sobre isso depois que lerem o post anterior.
materialismo
as más interpretações do materialismo histórico-dialético de Marx fracassaram, mataram gente e prenderam muito mais. Deixaram para nós um sentimento de que toda dúvida e utopia nos faz crescer, ainda que sempre tenha uma bomba atômica para resolver as dúvidas que ocupam as nossas cabeças cortando as cabeças. Talvez a maior herança da filosofia política no século 19 tenha sido o sentimento e ideal materialista que consome os nossos tempos, em todas as instâncias da sociedade.
temos que matar as crianças indesejadas, por exemplo. Temos que matá-las pois elas não têm a mínima condição de existir, numa favela ou cortiço com uma mãe solteira de mais nove crianças. Condições estas? Unicamente materiais. Mas a mãe pode não gostar da criança, não ter por ela amor, fuma e usa drogas durante a gravidez, demonstrando que odeia a criança. Logo, é melhor ela morrer. O amor em si é um conceito belo demais para ser materialista, na visão do senso comum. Só que as demonstrações de falta de amor, nesses casos, são exclusivamente materialistas. A possibilidade da criança nascer e viver doente é grande. Porém, a possibilidade da mãe, da tia ou da avó AMAR a criança que nasce e vive doente, pelo simples fato de que é um ser indefeso e desprotegido, também é muito grande.
dentre os argumentos, o mais materialista de todos é que a mulher tem direito sobre o seu próprio corpo. Fácil pensar para quem acha que não é uma vida que está sendo trabalhada ali. Talvez um monte de ossos e carne.
ontem ouvia eu uma palestra sobre eutanásia. Os médicos são em grande maioria favoráveis à prática, até por que lavam as mãos e não precisam mais tratar os doentes. O melhor e mais plausível argumento para a eutanásia é que não existem leitos suficientes no hospital, logo não seria importante manter um paciente terminal . É um argumento completamente materialista. A questão no caso é o leito ocupado pelo paciente, não a sua vida. Até acho mais importante que o paciente viva seus últimos dias ao lado da família, uma vez desenganado pela medicina. Mas tirar a vida para não sofrer eu só acho válido se alguém expõe no seu testamento o DESEJO de morrer em tais condições. Acho estúpido e assassino alguém se ver no direito de decidir isso pela pessoa, seja da família ou da classe médica.
estamos na época das casualidades. Uma vida a menos numa guerra é uma “casuality”, como dizem os prontuários. Uma vida retirada pelo aborto é uma melhora nas condições materiais da mãe, que não tem como criar um filho. Uma vida retirada pela eutanásia é uma melhora nas condições materiais no hospital, pois o leito será ocupado por alguém que pode viver mais que o paciente ali presente.
mesmo as soluções para a nossa vida espiritual são eminentemente materiais. O livro de auto-ajuda que mudou nossa vida. As cartas que tiramos. A água fluidificada que bebemos. A hóstia que comemos. O dízimo que pagamos.
o plano real aumentou o poder aquisitivo material das pessoas. Será culpa dele?
Introdução á Sociologia A
se me permitem, vou tomar uma cerveja antes de ir pra aula.
que calor, hein?
hoje encontrei pessoalmente o Ilgo Wink, colunista do Correio do Povo há muito tempo. Não obstante, o cara é pai de uma colega minha de Colégio de Aplicação e fundador do programa de rádio que estou fazendo junto ao Vicente Fonseca lá na 1080 AM.
é uma série bem legal de coincidências. Tomara que sirvam para o bem.
e o que dizer sobre o mundo, por enquanto?
ainda não consigo crer que Lula terá a cara de pau de concorrer à reeleição.
à procura do pastel perfeito
duas pastelarias uruguaias, pra começar:
[La Fiaca]
Muito bem localizado: Lima e Silva quase na Perimetral. É um lugar relativamente pequeno, com um dono muito simpático (seu Roberto, torcedor fanático do Peñarol) Norteña de 600ml bem gelada (objeto RARO na Cidade Baixa) e atendentes competentes, até pelo tamanho exíguo do lugar.
O pastel uruguaio tem uma peculiaridade: uma massa bem gorda, em formato de U, macia e esfacelante, porém sem se desmanchar. O formato e o sabor faz dessa massa de pastel uma das mais deliciosas já inventadas. Acompanhado do pesto (uma mistura de ervas e azeite, que segundo a Rê não constitui um verdadeiro pesto) o pastel é quase sempre delicioso.
A grande vantagem do pastel uruguaio, entretanto, é o pastel de chocolate. Na coluna anterior falei sobre como ninguém fazia pastéis como crepes: ao invés de usar uma mistura de chocolate, colocar chocolate duro, de verdade. Pois, os uruguaios fazem isso: o pastel deles tem chocolate de morder, não de chupar. Logo, não é preciso esperar esfriar para comer. Logo, o risco de se lambuzar inteiramente é menor.
Há não muito tempo eu considerava o pastel do La Fiaca o melhor de Porto Alegre, mas mal sabia que minha saga estava recém por começar. La Fiaca, pelas discussões futebolísticas com o dono, pela Norteña e pelo pastel de chocolate, merece uma nota 8,5. É uma pena que o pastel seja caro, ainda que tudo na Lima e Silva esteja caro ultimamente.
[República do Pastel]
Como também é uma colônia uruguaia, o pastel em si é o mesmo do La Fiaca. E o lugar é maior, dá pra pegar mais vento na rua. Mas o dono é antipático, as mulheres garçonetes são uma tragédia e o último pastel de chocolate branco que comi tinha o vento como matéria prima. Não sei se o La Fiaca serviria uma tortinha de aniversário para a Aline, até acho que não, mas o atendimento é bem melhor. Nota 7 para o bolicho.
mais um blog nesse mundo
e o que temos a ver com isso, não é mesmo?
MILAGRE
o blogger voltou a funcionar!!!
dois meses de tentativas frustradas – esporádicas, mas mesmo assim frustradas – finalmente correspondidas.
bom, pra quem sobrou por aqui, saibam que agora só vou escrever no novo endereço:
tenho bastante coisa pra escrever…