Archive for Dezembro 2005
lembram dele?

Morre, aos 78 anos, o homem do sapato branco
Jornalista Jacinto Figueira Jr. apresentou o primeiro programa que levava o mundo cão para a TV brasileira
O jornalista e apresentador Jacinto Figueira Júnior, 78 anos, também conhecido como o homem do sapato branco, morreu na terça-feira à noite em São Paulo.
Ele estava internado desde o dia 22 de novembro devido a problemas pulmonares. Vítima de um derrame em 2001, Jacinto ficou com uma série de seqüelas como problemas de locomoção e de audição.
Jacinto morava com sua mulher em um flat alugado no bairro do Pari, região central de São Paulo. Nos anos 1950, fez sucesso no meio musical com sua banda country Junior e seus Cowboys, mas só ingressou na TV no ano de 1963 com o programa Fato em foco, transmitido pela TV Cultura.
O programa mudou de nome para O homem do sapato branco, transmitido pela TV Bandeirantes em 1967. No dia 13 de dezembro de 1968, já na TV Globo, o programa foi retirado do ar pelo AI-5. O homem do sapato branco foi um marco na história da TV brasileira.
Jacinto ficou conhecido por estrear o mundo cão na TV brasileira, ao entrevistar populares, perguntando sobre suas vidas, seus amores. Ele trazia ao palco casais que chegavam a brigar na frente das câmeras. Uma de suas última aparições foi no telejornal Aqui agora, nos anos 90, no SBT.
reflexões natalinas
sou o único homem da casa hoje.
isso significa que vou ter de abrir o espumante.
tomara que tudo dê certo.
à procura do pastel perfeito -III
não vai ter uma versão especial natalina desta coluna, até por que não conheço ninguém que faça pastéis no natal. A busca entretanto continua, e a pastelaria visada nessa semana é a
[pastelaria da Jerônimo de Ornelas]
não tenho uma exata certeza do seu nome, acho que é “Bauru-alguma-coisa”, mas na falta do nome, dou a descrição, que é
[pastelaria logo depois da Tia Wilma, quase na parada do São Manoel, ao lado de uma loja de roupas]
Quem começou a propaganda dessa pastelaria foi o Pinky, no seu moblog (cada uma que inventam), falando sobre o preço e a quantidade de recheio. Logo descobri que a Emily e o Vitor também comiam lá com frequência e resolvi experimentar num belo dia.
É sem dúvida uma das melhores opções daquela zona sem R.U, apesar de ser um lugar pequeno, com poucas mesas e muito calor. A atendente é bastante simpática, embora não seja lá muito rápida ao servir. Os preços são realmente muito bons, para o tamanho e a qualidade.
Um pastel médio pra grande, muito bem recheado, pode sair até por 1,60 (se for só de carne). Essa é outra grande vantagem dessa pastelaria: a variedade de preços. Dá para escolher dos pastéis mais simples e baratos até um bizarro tomates secos, champignon e cheddar (segundo a Emily e a Renata, uma combinação absurda).
Quando lá comi, fui direto para o carne com cheddar, uma das melhores combinações que já vi em pastel. Paguei 2,10, era grande e bom. Porém, não era melhor que o melhor pastel de carne com cheddar da cidade, o do Cenoura Pastéis. O pastel do cenoura é feito com aquela massa falcatrua de cheddar que tem um requeijão como base, mas provavelmente tem pedaços de cheddar dentro, o que deixa o pastel muito mais saboroso e com gosto mais forte. Já o da Jerônimo não, provavelmente só tem a mistura falcatrua de cheddar. Não deixa de ser bom por causa disso, evidentemente.
A massa é quadrada, clássica, provavelmente apertada com um daqueles instrumentos de apertar. Isso torna o pastel muito mais saboroso e menos gorduroso, já que aquele tipo de massa não acumula gordura no seu interior.
Os pastéis doces dali também são bons, embora muito cremosos e enjoativos. Os pastéis de chocolate tem um LAGO de chocolate dentro, o que causa muitos “nhams” quando vemos pela primeira vez e muitos “ais” quando aquele líquido quente derrama nos dedos. Aliás, essa é uma grande falha nas pastelarias que conheço: por que ninguém faz pastéis de chocolate como fazem crepes?
Crepes de chocolate são feitos com chocolate de verdade, em barra, a maior parte deles com Baton. Os pastéis de chocolate são feitos com aquelas misturas de negrinho, com leite condensado, manteiga e nescau, o que torna mais rentável. Porém, em pastéis grandes como o da Jerônimo, aquilo além de ser enjoativo é um desespero para quem usa roupas brancas, tem a pele sensível e não muita habilidade com tratos manuais. Ninguém merece levar um banho de chocolate quente nas mãos de sobremesa.
Como o pastel da Jerônimo mata a fome, é saboroso e tem variedade, leva uma nota 7,5. Poderia ser melhor não fosse um lugar tão pequeno e quente, e se inovasse um pouco mais nos doces.
don’t leave me high….
nem tudo são flores, às vezes há o problema da logística, do tempo, das coisas esquecidas em casa e o não ter a família reunida em mais um fim de semana. O findi não deixa de ser ótimo sem tudo isso, quando se tem a boa companhia e o bom acordar, mas não se pode ter tudo e na falta de tudo existe a falta. Findo o domingo, ficou o frescor macio da manhã de segunda feira, sem nada pra fazer, o sol e a brisa leve batendo no rosto em direção à casa.
Nunca as brisas da manhã de segunda foram tão leves, neste ano. Talvez por que não traziam consigo a pressa e a angústia de mais um atraso, uma falta, um desperdício de tempo em aula inútil. Talvez por que por melhor que seja a companhia é sempre muito bom voltar pra casa, sentir os pés descalços sobre o carpete, ouvir as mesmas músicas, comer os mesmos pães, brincar as mesmas crianças, ouvir as mesmas rusgas.
Tão bom quanto viver noites de amor é viver dias sozinho. A garantia de um faz a alegria do outro.
à procura do pastel perfeito (II)
ainda há muitas pastelarias a desvendar, se o tempo colaborar farei desta uma coluna diária. Por enquanto vamos destrinchar os mistérios pastélicos da
[avenida Otávio Rocha]
começando a viagem pelo
[Tim's].
O Tim?s é uma daquelas lancherias estilo butiquim que existem por todo canto em bairros como o Sarandi e o Leopoldina, mas não são tão usuais no Centro. Existem várias na zona entre a Otávio Rocha e a Praça Parobé, algumas delas servem pastéis. Como o Tim?s, uma portinha 3×3 aberta entre o Banrisul e um revela-fotos qualquer.
Meu estágio era ali perto, conhecia a lancheria por ter o Ice Tea mais barato da zona ? 1,70, mas me vendiam até por 1,50. Numa das minhas tantas idas ao Beira-Rio depois do serviço, passei ali para encher o bucho antes da farra alcóolica pré-jogo. O pastel também tem uma massa quadrada, com um grande defeito: nunca parece feito na hora, pois o pastel não está gordinho o suficiente para não saber onde está o recheio, pelo lado de fora.
O guisado é molhadinho, mas carregado de sal e bastante gorduroso. Usei no mínimo uns quatro guardanapos para comer. É feito com azeitonas sem caroço e provavelmente tem meio ovo cozido dentro (sim, é muito ovo). O preço é bom ? 1,80 ? mas mais caro que o pastel da Vida Nova, que é melhor. Serve para uma fome implacável. Nota 6, por que a bebida é barata.
não muito longe dali temos o
[Café Haiti].
A fome de pastéis é algo que aparece com frequência em mim, especialmente quando estou cansado dos sanduíches gelados do Come-Come. Uma dessas fomes apareceu vinte minutos antes de chegar no escritório. Sem muita opção, apelei para o Café Haiti, que sempre tem coisinhas muito boas, além de uma organização estilo ?café-de-balcão? irresistível para um jornalista de espírito.
(Parêntese: não são poucos os saudosistas na faculdade que lamentam os tempos das redações com barulho de máquina de escrever e cigarro. Provavelmente os mesmos que criaram a cultura de jornalismo = café. Um café jornalístico, entretanto, é aquele de balcão, uma pausa para a reflexão entre um parágrafo e outro. O Café Haiti era uma boa fuga nesse sentido ? eu não estava fazendo jornalismo, mas o lugar me ajudava a fingir.)
Confiei portanto no lugar e pedi um pastel. Quando recebi da atendente, não acreditei que aquilo era de fato um pastel. Ela marcou na minha comanda: sim, era verdade. A massa era escura, como aquelas massas de sonho, mole e com vestígios de gordura. Estava velha. Dei duas mordidas e pensei em abandonar. Tive coragem: já passei por coisa pior, como o molho de mondongo da Lancheria do Parque.
Fui de fato até o fim. O pastel é horrível. O guisado é de segunda, não tem azeitonas, apenas ovo. Não lembro o preço, não era um real, mesmo se fosse não valeria a pena. Tive o cuidado de comer todo ele antes de tomar o café, ainda comprei um negrinho para tirar o gosto. Lamentável um lugar tão bom dispôr salgado tão ruim. Nota 3, por caridade.
à procura do pastel perfeito
inauguro pela primeira vez uma seção formal neste blog, agora que voltei a escrever sobre ele. O motivo é mui simples; dia destes, no mercado público, peguei-me a analisar um pastel de um bar qualquer daqueles, e a compará-lo com os outros pastéis que comi recentemente. Como pastéis demais, em muitos lugares diferentes, pensei certo dia em elaborar um ranking dos melhores da cidade. Por que não criar uma coluna sobre isso, em algum lugar qualquer? Que seja este lugar meu blog, então. Será minha primeira coluna, e gastronômica, apesar dos meus 61 kg.
Pois, a pastelaria que inaugura a seção hoje é a
[pastelaria Vida Nova]
localizada no Mercado Público, do lado do Gambrinus, defronte ao fim da Borges.
Os pastéis do Mercado, nas lancherias que costeiam o Largo Glênio Peres, são pastéis de acompanhar chope. Pequenos, torrados, muito quentes, de recheio delicioso porém caros, e não matam a fome. Inclusive existe uma lancheria que faz pastéis de siri inacreditáveis, mas sempre com esse inconveniente do preço e do tamanho.
Hoje estava a fim de algo que matasse a fome, imaginei que teria de sair dali para procurar algo. Achei por uma daquelas portinhas mágicas esta pastelaria, Vida Nova, que oferecia um carne-ovo-azeitona + café por 2,90. Confiei no taco deles quando vi as modalidades – médios, especiais 20×22 e pastéis tamanho xis (!). Pedi um médio, com Ice Tea, carne-ovo-azeitona.
É feito com aquelas massas quadradas e tem um recheio bem interessante. O guisado de dentro é bem molhadinho, embora não gorduroso. Tem de fato uma fatia grande de ovo cozido dentro, o que conta pontos embora seja bastante comum. A peculiaridade é que tem uma azeitona inteira dentro, dessas com caroço. Isso seria ruim não fosse o fato das azeitonas com caroço serem muito mais gostosas que as outras. É inconveniente tirar um caroço, claro, mas vale pelo sabor. A mostarda é igual à todas as outras do mercado – politicamente correta. Nem muito forte, nem muito fraca, meio aguada mas consistente e com ervinhas. Sem graça, mas uma boa companhia.
Destaque para o atendente, que perguntou se eu queria um pastel MUITO quente (feito na hora) ou mais ou menos (para devorar mesmo). Pedi um mais ou menos pela fome.
Claro que todos sabemos que a fome é a melhor das cozinheiras, eu não comia desde o almoço, eram 19h e tinha acabado de comprar quitutes na banca do holandês. Ainda assim, por ser o único pastel “mata-fome” do Mercado Público e ser de boa qualidade, merece uma nota 8.
Em breve, mais sobre pastéis e afins. Como o do Tim e o do Café Haiti, vizinhos da Otávio Rocha.
just ’cause you feel that doesn’t mean it’s there
sentia falta de escrever em blogs, “pouca coisa para muita gente”, como diria a agora escritora Julia Dantas. Muito bonito o coquetel inclusive, passei o constrangimento de comer canapés na frente da Celia Ribeiro, a mestre em etiqueta. Adorei as dedicatórias das meninas, os contos também, recomendo a leitura mas não vi dos outros.
nem lembro a última vez que dissertei sobre minha vida em um blog, mas com certeza era outra pessoa na época. Não tinha sido demitido de um estágio pela primeira vez (graças a Deus), não tinha namorado uma pessoa tão incrível, não tinha rodado voluntariamente numa cadeira nem tocado bateria de verdade em público. Também não conhecia nem Arcade Fire nem Radiohead (There There, música que ouço agora, ilustra o título). Minha mãe não estava à procura de um namorado (não que eu soubesse, ao menos) e eu nunca tinha ajudado a produzir um videoclipe. Meu time não estava confirmado na Libertadores nem tinha tido o seu campeonato usurpado pela máfia russa.
Várias coisas mudaram, não? Inclusive a vontade de postar e ler blogs. O passado batia forte na minha cabeça, resolvi recolher a minha vida pessoal apenas para mim e as pessoas próximas, talvez nem as pessoas próximas. “Falar muito para poucas pessoas”, frase da mesma Julia Dantas. Também escrevia no superfície: espero não ter perdido a longa dissertação sobre Negresco Ice Mint e Club Social Mel e Cereal (afff).
Acho que vou me mudar, a partir do ano que vem. Não de casa: talvez minha sina seja permanecer no Sarandi por mais vinte anos. Vou mudar de domínio. Já criei um template aqui, e na verdade sempre quis mudar de domínio – nunca gostei muito do Lupus 1985.
Estou totalmente de férias e tenho um almoço para fazer amanhã. Se conseguir chegar aos pés da janta que minha amada fez no sábado, estarei bem.