Terça-Feira

pílulas semanais

Archive for Fevereiro 2005

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Um jogo de futebol que não vi, uma torcida muito alegre cantando sem parar, uma vitória magérrima, uma faixa que fiz. A volta pra casa reencontrando meu irmão que se mudou e ele me dando o abraço mais sincero e fraterno que já recebi nos últimos tempos. Nós nos amamos. Aliás, eu amo a todos na minha família. Porque tenho tanta dificuldade em demonstrar isso? Porque temos? Porque um abraço como aquele é tão difícil? Juro que me emocionei.

Domingo a noite no MSN é dia de conversas sempre interessantes, abrir o coração, falar sobre política, música, futebol. Os antigos talvez tinham isso com os seus bares da esquina. Meu pai tinha isso com o seu bar da esquina. Aliás, minha irmã sonhou com ele. Creio que minha irmã é médium. No sonho ele disse que sentia minha falta e outras coisas que ela não quis dizer.

Não fiz mais orações por ele. Não sei o porquê, talvez porque não queira pensar. Sinto também a falta dele e espero que ele esteja muito bem. Isso não é novidade para ninguém, creio que todos saibam. Porém, no dia nove fez um ano da sua partida e nada comentei. Talvez eu realmente não queira pensar, evito isso, assim como evito abraçar e beijar minha mãe todos os dias. Meu desafio nesse mundo deve ser aprender a manifestar os sentimentos de forma equilibrada: eu não sei e quero aprender.

Ainda firo deliberadamente. Ainda provoco. Ainda torturo mentalmente as pessoas. Ainda falo demais sobre problemas que não são problemas. Ainda esqueço de perguntar pros meus irmãos como foi o seu dia e como eles estão, pois assim a convivência dói menos e não precisamos falar de coisas desagradáveis. Como uma pax romana, prestes a ruir. Algo no fundo me diz que talvez a insistência em falar de coisas pessoais com eles pode me ajudar a ser mais próximo, resolver alguns problemas, carregar o mesmo fardo. Gosto de fazer isso com meus amigos. O que me impede de fazer o mesmo com eles?

Não sei. Não podemos fazer tudo ao mesmo tempo. A pax é cômoda e funciona. É elegante, também, para consumo externo. A elegância talvez não mais seja do que uma anestesia.

Minha amiga (agora posso chamá-la assim, creio) Fernanda partiu pra Curitiba e não me despedi. Devia ter devolvido para ela os CDs ontem e não o fiz por um deslize. Provavelmente a essa hora ela esteja no meio da viagem. Desejo toda a sorte do mundo pra ela nessa nova empreitada. Quero saber quais os problemas que ela resolveu. Mas ao mesmo tempo no sábado queria outras coisas e, novamente, não dá pra fazer tudo. Sad but true.

É difícil caminhar sempre pra frente sem retroceder, cair e ser um idiota de novo.

Mas não dá para pensar em si mesmo e ser inteligente ao mesmo tempo.

Ao menos não agora.

fazia tempo que não falava sobre mim.

Escrito por Luís Felipe

Fevereiro 27, 2005 em 11:37 pm

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white stripes comanda

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adrenalina, pulsação e ironia. O que mais eu poderia querer?

Fell in love with a girl
fell in love once and almost completely
she’s in love with the world
but sometimes these feelings can be so misleading
she turns and says “are you alright?”
I said “I must be fine cause my heart’s still beating”
She says “come and kiss me by the riverside,
bobby says it’s fine he don’t consider it cheating”

Red hair with a curl
mellow roll for the flavor and the eyes for peeping
can’t keep away from the girl
these two sides of my brain need to have a meeting
can’t think of anything to do
my left brain knows that all love is fleeting
she’s just looking for something new
and I said it once before but it bears repeating

ah ah ah ah ah….

ROCK AND ROLL!

Escrito por Luís Felipe

Fevereiro 27, 2005 em 8:31 pm

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O tempo é o senhor da razão, mas as vezes ele é mais lento que a necessidade de ser racional. O fato é que estou no aguardo de certas coisas e deveria estar angustiado: por algum motivo não estou, talvez porque dentro de mim mantenho a certeza que terei minhas expectativas satisfeitas.

dica musical: quem gosta de Pink Floyd não pode deixar de ouvir Animals, o CD inteiro. Valeu fernanda, essa overdose de PF está me fazendo muy bien.

Escrito por Luís Felipe

Fevereiro 22, 2005 em 9:54 am

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não faça o que lhe disseram para fazer

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Syd Barrett, já entrando na sua fase de loucura devido às drogas e à sua tendência esquizofrênica, gravou The Madcap Laughs, produzido pelo seu substituto no Pink Floyd David Gilmour. Numa música, chamada Dominoes, o ritmo era tão quebrado que foi extremamente difícil inserir a guitarra, depois da bateria. Syd sugeriu que Gilmour virasse a fita da guitarra, assim a música ficaria com o som da guitarra ao contrário. Gilmour apavorado inverteu, depois colocou outra guitarra em cima dessa e o resultado final foi duas guitarras, uma tocada ao contrário e outra certa. Na minha opinião, ficou um dos melhores arranjos de todas as músicas solo do Syd.

Isso é só para dizer que Deus escreve certo por linhas tortas, bem como a definição de louco do dicionário do diabo de Ambrose Bierce está correta.

Escrito por Luís Felipe

Fevereiro 21, 2005 em 1:18 am

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Foram oito anos de convivência nesse quarto. Uma convivência por vezes tumultuada, mas quase sempre edificante, trazendo a mim uma série de alegrias e novidades incontestes. Aprendi muito com ele, perdi muito tempo, tive muita diversão e decepções, nada que um grande amigo não possa proporcionar. Porém o progresso, como diria Nélson Cavaquinho, é um senhor que vai derrubando tudo pela frente sem perguntar quem ou o que, e os novos padrões acabam por nos separar temporiariamente, em prol de um novo ente que dominará essa parte do quarto.

Isso é só para dizer que tenho um novo computador, muito bom, em casa e estou muito feliz.

Escrito por Luís Felipe

Fevereiro 19, 2005 em 6:22 pm

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assistindo TV

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Numa dessas minhas madrugadas inúteis de férias estava mudando de canal quando cheguei ao exuberante e educativo programa do João Kléber na Rede TV. Mais precisamente ao seu quadro “Teste de Fidelidade”, o qual parece um vídeo pornô com roupas, e consiste num teste que uma das partes de um casal submete a outra: a produção supostamente contrata um ator ou uma atriz para seduzir o cônjuge e ver se ele resiste ou não. Ontem, a mulher não resistiu ao teste feito pelo seu namorado, sem ela saber. Assistia eu uma cena quentíssima com um suposto ator e a suposta namorada de um baixinho bem vestido, que apenas repetia “vagabunda”, “piranha”, para o delírio de Kléber, narrador da cena.

Não demorei quinze minutos para imaginar que tudo era uma farsa.

Mas hoje pensando melhor, perguntei para mim: o que será pior, saber que é corno em rede nacional ou fazer papel de corno em rede nacional? Digamos que seja tudo verdade: é absolutamente humilhante a tua namorada te traindo com a narração do João Kléber. No fundo, entretanto, os dois perdem, pois a tua namorada também está sendo chamada de vadia para todo o país e com o consentimento da platéia, ainda. Caso tudo seja uma farsa e o ator que está fazendo o papel de corno não seja corno, ele não tem como provar o contrário. Vai sair na rua e ser chamado de corno, mesmo que tenha dois filhos e uma mulher que o ama em casa. Não há sequer o gosto de ter a mulher traidora sendo maldita por todo mundo: pouco importa se a outra é vagabunda ou não, ela é uma atriz e não tem nada a ver com o fato dele ser chamado de corno, senão aquele teatro no momento.

Eu não submeteria minha namorada a um teste de fidelidade no programa do João Kléber nem muito menos faria papel de corno em rede nacional, não importa o tamanho do cachê. Ainda assim, é uma questão interessante a se pensar.

Enquanto eu penso sobre esses assuntos de alta relevância no espectro humano, a câmara dos deputados elegeu um ultra reaccionário para seu presidente. Um cara que acha, por exemplo, que homossexuais são aberrações da natureza. O PT criou corvos e estão comendo seus olhos…

Escrito por Luís Felipe

Fevereiro 15, 2005 em 7:44 pm

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caramba, agora eu gostei do meu template.

VISITEM! www.blogskins.com

Escrito por Luís Felipe

Fevereiro 13, 2005 em 8:45 pm

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não tenho mais paciência para escrever poemas.

acho que falta inspiração na minha vida.

Escrito por Luís Felipe

Fevereiro 11, 2005 em 12:10 am

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o que eu fiz no carnaval?

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- reencontrei o lendário e insigne Rafael Emílio Barfknecht

- viajei às 5 da manhã depois de quase chorar , de tristeza por não tomar uma norteña e de rir por histórias de isqueiros e gatos.

- entrei num restaurante pela janela

- tornei-me um rockheimer

- tornei-me um baterista com banda e sem instrumentos

- cantei até perder a voz e toquei meia-lua até doer as mãos

- tomei banho de mar

- batidas espetaculares (leite de coco!) também

- tive meus olhos vermelhos e inchados

- saí à noite com óculos escuros e um pingüim pendurado na gola do moleton

- almocei às dez horas da noite

- dancei aquela música horrível do Latino

- pisei em saltos altos

- ajudei a fazer uma fogueira

- cantei “vou festejar” na beira da praia em meio a uma hora e meia de caminhada para achar um bar fechado

- invadi um bloco de carnaval com trenzinho

- invadi uma roda dançando rockabilly

- dormi num saco

- fui um dos primeiros da fila do café pinhão

- tomei capeta

- apertei a campainha do apartamento errado

- fiquei na fila para conseguir ingressos para o bali-hai, mas eles acabaram

- corri desesperadamente tentando achar mais duas pessoas para comprar 12 ingressos – pra nada

- tomei banho numa das águas mais quentes do sul

- fiz três gols

- joguei bola até doer os pés

- abalei psicologicamente o time adversário com minha marcação cerrada (rodrigo que o diga)

- tirei fotos

- posei para outras tantas

- dormi numa rede

- encontrei homens fantasiados de bis

- ajudei a compôr músicas idiotas

- ouvi as pessoas cantarem “A Flor” num dos momentos mais emocionantes da viagem

- cantei What a Wonderful World na entrada de Porto Alegre, em outro momento lindo

enfim, foi sem dúvida um dos carnavais mais divertidos da minha vida. Fê, Renata, Flávia, Julia, Marcela, Ressel, Xipô, Marquito, Rodrigo, Tijolo, Kalil, Ricardo e especialmente Rafael, que cedeu aquele AP fantástico, valeu mesmo, vocês são demais.

Escrito por Luís Felipe

Fevereiro 10, 2005 em 3:24 pm

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post social mundial

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enquanto esse blog ficou às moscas, o Fórum Social Mundial veio, viu e venceu Porto Alegre. Veio em massa: milhares de inscritos, MUITA, MAS MUITA coisa para ver, desde a oposição do governo de Mugabe no Zimbábue até um colóquio sobre as audiências públicas renegadas sobre a TV digital. Vieram também quase cinco mil pessoas para o acampamento, raras vezes o parque da Harmonia teve tanta gente, tantas acusações de estupro, tantas barracas e tantos banhos ao mesmo tempo.

Ainda que essa tenha sido a melhor edição, para mim (foi a que mais aproveitei, graças ao Rômulo e a Andhressa, pessoas que ficaram na minha casa, o primeiro por todos os dias, a segunda só por duas noites) não tenho dúvidas sobre a saída do FSM de Porto Alegre. Acho muito benéfico isso: o Fórum virou uma atração turística, a cidade acostumou-se com a idéia de receber muitos euros e dólares no mês mais parado do ano. Visto isso, uma quantidade imensa de aproveitadores resolveu adotar o fórum para lucrar com eventos e produtos que nada têm a ver com a proposta original deste. Isso sem contar naqueles que só foram para o acampamento para “pegar alguém”, alguns mais exaltados quase foram linchados por tentativas de estupro. Deprimente.

Não tolero as acusações de que o FSM é um evento inútil e jamais mudará a consciência do capitalismo. Se as pessoas não vão mudar suas idéias por terem participado, é uma pena, porque motivos importantes não faltam. Um grande exemplo nesses termos deu-se numa palestra sobre a TV Digital que vi na parte da comunicação: vocês sabiam que há uma nova tecnologia de mídia a ser vigente nos próximos anos e que essa é uma oportunidade ÚNICA de tirar os grandes meios de comunicação do seu pedestal, para promover a tão sonhada democratização? Nunca li nada nem vi nenhum evento na FABICO sobre isso. Os estudantes de comunicação, segundo os próprios palestrantes disseram, estão completamente alheios ao assunto, tanto pela desinformação da grande mídia (que ainda pretende dar as cartas) como pela própria falta de interesse e de projetos independentes sobre a nova tecnologia. O fato é que ano passado foram realizadas audiências públicas em vários lugares do Brasil e pouquíssimas pessoas compareceram. Quem sabe não está aí a oportunidade de dar um novo sentido à comunicação?

Eles recomendaram o site do Ministério das Comunicações, especialmente na parte de chamadas públicas, para acompanhar e discutir sobre. Acho que seria uma boa iniciativa, deveria partir de nós, porque a perspectiva de mudança é boa…

Estou na perspectiva de instalar o linux e mudar de máquina. Vamos ver o que chegará primeiro. Provavelmente a instalação do pingüim só será feita depois do carnaval, porque mudar todos os hds, mais a sequência de boot e o sistema operacional é algo que tem que ser feito com a supervisão da única pessoa que pretende entender de computadores em casa – eu. Já que essa máquina ficará na posse da minha mãe e da minha irmã no feriado, melhor manter o windows.

Adoro pessoas alegres, sorridentes. Adoro também o frio. E uma bebida para acompanhar. Enquanto os pinguins de bytes não chegam, aproveito as cervejas do bar com esse nome.

Amanhã estou indo pra meia-praia a fim de passar o carnaval com o pessoal da FABICO. Tomara que seja tão divertido quanto foi o rafting. Se não nos vermos, bom carnaval para vocês.

Escrito por Luís Felipe

Fevereiro 2, 2005 em 5:43 pm

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