Terça-Feira

pílulas semanais

Archive for Janeiro 2004

sobre músicos e poetas

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vou aqui publicar um poema meu datado de outubro ou novembro, que é a minha resposta geral para alguns fatos que acontecem.

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Quem dera

Que o amor fosse um verso

Toda pessoa seduzida

Fosse rendida tal caneta

Às mãos do escritor

Quem ama, porém, não versa

Versos são espelhos do ego

Amar é ser altruísta

É adorar.

Versos livres, como o meu, nada dizem

O que diz realmente é a canção

Cantar envolve melodia

Notas afinadas, tablaturas

Cifras, sincronias, pestanas

Vozes, tambores e ritmos

Poemas qualquer um faz

Só pegar um papel e caneta

Talvez um lápis, ou giz de cera

Não é preciso nenhum teatro

Nenhuma letra pra ser decorada

Nenhuma corda, afinação, acompanhamento

O amor, na verdade, está na música

Repleto de jogos

Ações sincronizadas

Belezas concretas, esquematizadas.

O poeta é tão somente um bardo

Da lírica, filho bastardo

Do amor, lobo vira-lata

Uiva pra lua enquanto o astronauta

Meticuloso e hábil na melodia

No satélite se faz presente.

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Os poetas são marginais da lírica, ela de verdade está na música. Em breve retomarei o assunto.

´música: Panis et Circensis – Mutantes

vou ver a peça do Érico.

Escrito por Luís Felipe

Janeiro 31, 2004 em 4:48 pm

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finalmente!

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instalei o HD de 40 gb e agora sou uma pessoa 25% mais feliz. Instalei também o novo drive de disquete, agora meus discos de 1.44 estão funcionando novamente.

O P II 300 mhz com 96 de ram, velho companheiro de guerra, está recauchutado.

Isso me permite atualizar o blog, coisa que não faço desde terça feira. Achei interessante o fato de ninguém ter comentado o post sobre o filme Cidade de Deus, acho que não surpreendeu ninguém. Bem, a mim surpreendeu, então…

Vou ficar aqui em Porto Alegre em fevereiro, até segunda ordem, e pretendo ver a peça do Érico esse fim de semana. Semana que vem dedicarei toda ao Jornal, realizando entrevistas, matérias, tirando até fotos se for o caso.

Ontem passei boa parte da tarde conversando com a Julia na redenção, anteontem as pessoas foram no Opinião e eu não pude ir porque cheguei em casa quase 22h, com os pés molhados e morto de fome. Na terça feira, de uma forma estúpida, saí de uma mesa da Lima e Silva depois de ver o maravilhoso Dogville. No alto de minha imaturidade, acho que tentei chocar aquelas pessoas as quais gosto muito depois que falei do meu pai. Ele anda mal, é verdade, e as coisas não vão bem aqui em casa há um bom tempo, mas não é por isso que eu tenho que culpar os meus amigos. A minha atitude não ajudou ninguém e eu reconheço.

Enfim, escrevi isso mais pra que os meus amigos procurem entender quando eu agir de forma errada novamente a respeito desse assunto. Ainda não sei lidar com isso.

Depois fui pra casa da Manu e ficamos vendo Procurando Nemo, um filme bem legal. Respeitem a Manu. Ela é uma pessoa especial. Ela me faz pensar melhor nas minhas atitudes e ter a esperança de que sempre há alguém que se importa.

Enfim, daqui a pouco voltarei a postar, agora preciso ir pra Sociedade (Espírita, para aqueles que desconfiam que eu participo de rituais secretos). Talvez volte mais tarde.

AH, SIM!: Leiam o blog da Emily, uma grande guria com um belo texto e um template bem respeitável.

Escrito por Luís Felipe

Janeiro 31, 2004 em 1:01 pm

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que legal

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“Cidade de Deus” recebeu quatro indicações praquele prêmio de consolação que é o Oscar – Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Diretor, Melhor Fotografia e Melhor Edição.

É bom porque além de ser um filme que mudou o cinema nacional (os diretores passaram a ser bem mais ousados, o dinheiro começou a entrar) a fotografia e a edição não devem em nada para os últimos grandes filmes americanos.

É claro que em direção e edição o CdD vai disputar com o Senhor dos Anéis, que é mais ou menos a mesma coisa que a seleção dos Estados Unidos jogar uma final de copa do mundo com o Brasil, ou seja, esses oscares já tão praticamente perdidos.

Mas acho que dá pra levar o prêmio de consolação em roteiro adaptado.

Porque prêmio de consolação? Idéia de uma antiga amiga, Lia, dizendo que “os estúdios gastam tanto dinheiro nesses filmes que precisam se consolar com algumas estatuetas”.

Saudades dela…..alguém sabe onde ela foi parar? :-)

Escrito por Luís Felipe

Janeiro 27, 2004 em 11:43 am

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A-Ha!

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aos poucos vou aprendendo a lidar com esse blog. Agora aprendi a pôr os títulos nos meus posts e já passei a mensagem de abertura para cima da imagem do lobo. Só preciso de uma frase melhor…

Escrito por Luís Felipe

Janeiro 27, 2004 em 2:50 am

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pra não dizer que não falei do fórum

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copiarei aqui o texto de Marcos Arruda, que parece uma síntese do evento que voltará pra Porto Alegre em 2005 – já estava com saudades da fauna…

Texto de Marcos Arruda (autor de projetos e livros sobre redes de economia solidaria) a respeito do Forum Social de Mumbai e tambem sobre o Forum Economico de Davos.

O rodízio é uma prática salutar. O FSM se enriqueceu muito em Mumbai ao permitir que inúmeras organizações asiáticas, e grande número de gente do povo da Índia, participassem das marchas e dos debates que marcaram o FSM 2004.

Todos os dias, milhares de manifestantes de diferentes países, com as mais diversas roupas, cores e idiomas marcharam pelas ruas poeirentas da grande área dedicada ao FSM na cidade litorânea de Mumbai, Índia: nela operou uma grande empresa no passado; os galpões abandonados foram reformados para abrigar as cerca de 150 mil pessoas que vieram participar do FSM 2004. A abertura atraiu uma multidão ao parque voltado para o por-do-sol, onde estava instalado um estrado e um sistema de som e vídeo. O chão estava totalmente coberto de sacos de aniagem, permitindo que a multidão assistisse ao show musical e aos discursos sentada no chão. Entre as pessoas que falaram no evento de abertura estavam o líder argelino Ahmed Ben Bella, a jovem escritora indiana Arundati Roy e Chico Whitaker. Os indianos tiveram o cuidado de falar em hindi e depois oferecer tradução ao inglês. O discurso do Chico foi resumido para o hindi com muito espírito pela animadora indiana.

As ruas do FSM estavam cheias da manhã à noite, com japoneses e coreanos marchando contra a globalização neoliberal e o desemprego, mulheres indianas pelos direitos da mulher, monges budistas tibetanos pela Paz no Tibet e pela libertação de monges presos pelo Exército chinês, trabalhadores informais pelo direito a um trabalho digno, Dalits (a casta dos Intocáveis) contra sua condição desumana de recolhedores de dejetos humanos (scavengers) em troca de um salário de miséria, servidores públicos contra a privatização e o desemprego, portadores de deficiência, grupos tribais, etc. O FSM 2004 foi marcado muito mais pelo protesto, festa, alegria e comunicação do que pelos debates sobre os temas prioritários para a sociedade humana mundial. Os problemas locais continuam sendo prioritários para a gente do povo. A mensagem é que, para que os problemas como água, terra e alimento sejam resolvidos, é preciso que os povos se unam e lutem contra os seus opressores hoje globalizados, e por uma economia sob o controle das populações trabalhadoras e a serviço das necessidades humanas.

As conferências e painéis ocorreram em grandes salões, com 4000 a 10000 lugares, mas os participantes preferiam estar se manifestando nas ruas do que ouvindo os debatedores. Estiveram no Fórum de Mumbai pelo menos 150 mil pessoas. A Conferência sobre “Terra, Água e Soberania Alimentar” atraiu alguns milhares de populares. São os assuntos aparentemente mais dramáticos para os mais de um bilhão de indianos. Os temas da economia do povo/economia solidária atraíram gente das Américas, Europa, e África, mas apenas os indianos que já estão envolvidos em atividades de comércio justo, produção cooperativa, microcrédito solidário, agricultura familiar e desenvolvimento local participativo e sustentável. As apresentações e os debates foram de ótima qualidade e progrediram em relação a 2002. Um seminário dedicado à economia do povo/solidária na Ásia focalizou experiências na Índia, Tailândia, Paquistão, e com elas contrastamos práticas do Brasil, da província canadense de Quebec e da França. Promovemos mais de 100 eventos sobre comércio justo. Se em 2003 tivemos 19 redes de economia solidária promovendo os eventos em Porto Alegre, em Mumbai tivemos 47 redes e entidades articuladas na organização desses eventos. Ao todo, estimamos ter alcançado umas 8000 pessoas.

Os debates promovidos por Jubileu Sul e as diversas redes nacionais e internacionais sobre dívida, comércio internacional e agências multilaterais foram anunciados por faixas esticadas entre as árvores por toda a área do Fórum. Foi lançada a proposta de um Tribunal sobre Dívidas Financeiras e Dívida Ecológica em 2005. As campanhas contra a NAFTA, ALCA, CAFTA, o acordo africano e os acordos bilaterais neoliberais promoveram vigorosos debates. A mídia indiana cobriu o evento com algum destaque, inclusive promovendo debates com participantes mais conhecidos. A mídia internacional, porém, deu uma cobertura limitada e preconceituosa, pouco atenta para a riqueza dos debates e das propostas; bem inferior ao destaque com que brindou o Fórum Econômico Mundial (FEM), de Davos, Suíça, realizado uma semana depois do FSM.

Davos, mais elitista do que nunca

O FEM em Davos custou, apenas na rubrica segurança, cerca de 18 milhões de dólares. Contou com cerca de duas mil pessoas, entre grandes empresários e políticos de cerca de cem países, e jornalistas. Seu título: “Segurança e Prosperidade, Sinônimos da Paz”. O Ministro da Justiça dos EUA, John Ashcroft, foi quem deu conteúdo a esta sigla, promovendo o que seu governo considera os temas globais prioritários, a luta contra o terrorismo e contra a corrupção oficial. Ashcroft sublinhou que estava se referindo à corrupção oficial dos governantes e não ao tipo de desvio corporativo que está na origem de grandes escândalos em empresas dos EUA e da Europa como a Enron, a Tyco e a Parmalat. A OTAN seguiu no mesmo tom, propondo a construção de uma “parceria de segurança” com Israel e os estados árabes em torno do Mediterrâneo a fim de promover a guerra ao terrorismo. O presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, distoou dizendo que a presença de tropas estadunidenses no Paquistão não é necessária para o combate a Al Qaida.

O Secretário Geral da ONU, Kofi Annan, contrapôs ao discurso do falcão de Washington um chamado “ao equilíbrio da ordem do dia internacional”, pedindo aos participantes que não se esqueçam do combate contra a fome no mundo e pelo desenvolvimento, ocultos pela luta contra o terrorismo e pela guerra no Iraque. Disse que a ONU está em condições de agir pela paz e pela segurança “não só para o mais privilegiado membro da Organização, hoje preocupado com o terrorismo e as armas de destruição em massa. A ONU deve proteger milhões de homens e mulheres da ameaça mais familiar da pobreza, da fome e das doenças mortais.”

A Suíça organizou uma reunião ‘informal’ para tentar desbloquear as negociações na OMC. Em 2004 não haverá reuniões ministeriais formais. A reunião ocorreu durante a sessão em que Kofi Annan falava ao FEM. A Conferência Alternativa “Olho Público sobre Davos” manifestou-se com ênfase contra a iniciativa suíça. “É escandaloso que Ministros do Comércio e da Economia se misturem com as grandes empresas sem consultar a cidadania dos seus países”, disse Tony Juniper, de Amigos da Terra. “Eles deviam, sim, ter ido ao FSM em Mumbai para encontrar as pessoas diretamente afetadas pelas suas políticas.”

O criador do Fórum de Davos, Klaus Schwab, propôs que se buscasse mudar a atmosfera do FEM, para diminuir a vulnerabilidade do evento aos olhos dos seus críticos… “Nenhuma gravata, por um mundo sem fronteiras”, foi o slogan que lançou, esperando que o ambiente mais informal aumentasse a legitimidade do Fórum aos olhos do mundo. Para completar, concebeu uma multa de 5 ou mais francos suíços para quem viesse de gravata. Este dinheiro iria formar um fundo para obras de beneficência, reforçando a imagem de uma elite global socialmente responsável!…

Merece destaque um artigo crítico publicado no Corriere del Ticino, Suíça, de 24/1/04, em que Claudia Bergomi, de Fribourg, mostra que o jornal, que devia difundir a informação completa, usa etiquetas e estereótipos que distorcem a realidade: os manifestantes contra o FEM de Davos, assim como os que se manifestam contra a OMC, o Banco Mundial e o FMI, o G8 e outras expressões da globalização neoliberal, são etiquetados de “no global” (“não global”). O argumento desses manifestantes, de que as decisões sobre a economia e a política mundial são importantes demais para serem tomadas por um grupo restrito de políticos e empresários, fica oculto e enfraquecido debaixo de slogans fáceis, que simplificam e desfiguram a causa dos manifestantes. A autora denuncia que esta é uma tentativa de minimizar a influência que eles poderiam ter sobre nossa vida e nosso modo de pensar; tentam induzir o leitor a não levá-los a sério. A ideologia a transmitir é que a globalização é um processo irreversível e que só há uma globalização possível: a atual. Noutras palavras, só este mundo é possível: o das grandes corporações transnacionais, o da competição selvagem de todos contra todos, o da violência, da guerra, o do consumismo sem limites, o da desnaturalização do cotidiano, o da mercantilização da vida e dos bens comuns do Planeta, o da destruição sempre crescente da Natureza. Portanto, continua a autora, as elites do jornalismo trabalham para desacreditar os que se manifestam contra esta globalização, descartá-los como ‘jurássicos’ contrários ao progresso e a um futuro sempre mais poderoso para a ‘humanidade’. “É inconcebível que, enquanto morremos das doenças do bem estar, entupidos de colesterol, do outro lado do mundo alguém deva morrer de fome depois de ter colhido o alimento que terminou no nosso prato, ou no estábulo do boi que terminou no nosso prato.”

Marcos Arruda. PACS-RBSES. Mumbai

(retirado do CMI Brasil – www.midiaindependente.org)

Escrito por Luís Felipe

Janeiro 27, 2004 em 2:17 am

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preciso me tratar.

quando a depressão bate em mim, não cura tão fácil. Alguém é parceiro de ver uma comédia idiota comigo amanhã ou terça?

ah, mas amanhã tem rpg….dependendo do meu estado emocional, não vou pro jogo. Que sentido há em simular batalhas?

Poderia ser pior, é verdade. Sempre penso nas crianças que vêm pedir comida aqui em casa. Pra elas, realmente, nada é fácil. Elas têm de depender da boa vontade de nós pra fazerem uma ou duas refeições por dia. Tentem imaginar o que é isso. Não tem geladeira pra abrir e pegar o que se quer; não tem televisão pra ver e se distrair até a fome passar; não tem blog pra contar a nova dieta. Não tem nada. Só o que tem é um carrinho pra carregar papel e uma esperança de que eles vão chegar no número 325 e alguém vai dar um sanduíche de mortadela. Porque só assim eles terão força pra aguentar o dia de trabalho.

Isso sim, é muito triste. Todo o vazio que sinto não é nada perto do fardo enorme que essas crianças tem que carregar. Essas crianças, sim, eu respeito. Eu sou um fraco, um nada, perto da resistência de alma e da força que elas têm.

É contra injustiças como essa que temos de lutar. Não podemos ficar parados, nos lamentando e pensando em bobagens. Sempre há muito o que fazer por muita gente.

Se a burguesia (nós) tivesse o espírito de luta que têm as classes mais pobres e as classes mais pobres tivessem todos os recursos da burguesia, quão melhor não seria o nosso país?

Vou dormir pensando quanto tempo perco me destruindo quando poderia construir a vida de outra pessoa.

música: o barulho do ventilador.

decepção: a seleção olímpica caiu. Mas é até bom pros santistas e cruzeirenses perderem a marra.

pergunta: porque as pessoas erram uma vez, se decepcionam, percebem que há algo bem melhor e depois insistem no mesmo erro?

Escrito por Luís Felipe

Janeiro 26, 2004 em 12:47 am

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estou me sentindo muito carente, e isso não me faz bem.

Vou postar aqui uma música na qual pensei enquanto vinha pra casa:

“Deixe-me ir, preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

Se alguém por mim perguntar,

Diga que eu só vou voltar

Quando eu me encontrar

Quero assistir ao Sol nascer

Ver as águas dos rios correr

Ouvir os pássaros cantar

Eu quero nascer, quero viver

Deixe-me ir, preciso andar

Vou por aí a procurar

Rir pra não chorar

Se alguém por mim perguntar, diga que eu só vou voltar

Quando eu me encontrar” – Candeia.

Estou cansado de abraços frios, beijos sem gosto; carinhos sem troca, carícias sem volta, amores para o nada; falar sobre coisa alguma com ninguém. Cansei de estar acompanhado de muitos e continuar sozinho. Cansei de esperar que o telefone toque me chamando porque alguém necessita da minha presença; tenho um coração quente que está condenado na geladeira do meu ser insensível para todo o sempre. Acho que ninguém precisa de mim, não consigo sentir o amor em nenhum lugar.

Só peço a quem me conhece que não se esqueçam de mim. Eu existo e preciso de vocês.

No meu peito, o vento do vazio vem forte, derrubando as árvores da esperança, matando os frutos do sentimento e tornando árida a terra do afeto. Todos querem errar com todos, ninguém quer errar comigo.

Por isso me torno errante.

Sei que ninguém vai comentar a respeito desse post, esse zero logo abaixo apenas será a concordância com tudo o que eu disse. Todos somos atores, eu sou um mero figurante sem cachê nem motivo pra estar na cena.

Escrito por Luís Felipe

Janeiro 25, 2004 em 2:46 pm

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Eu sei que ninguém vai comentar nada disso, escrevo apenas porque tenho vontade. O mundo é muito rápido pra que as pessoas se preocupem com sentimentos complexos de pessoas complexas.

Não tenho coragem de me matar.

Tenho de escrever o texto pra loja, agora que apaguei.

será que o moa vai ficar puto se eu não mandar o último capítulo?

acho que sim.

vou lá escrever.

tchau.

(por isso que não botei um contador de visitantes)

Escrito por Luís Felipe

Janeiro 25, 2004 em 2:37 pm

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trabalho final de filosofia segunda, de linguística na terça, reescritura e prova do Seben na quarta, prova de linguística mais envio da síntese de teoria na quinta e trabalho final de teoria na sexta.

ACABOU!

Agora só no próximo semestre, onde já seremos veteranos.

Ontem fui numa festinha meia-boca chamada pasárgada, mas deu pra dançar e se divertir. O engraçado é que na casa da Emily (onde passei a noite de novo) já sabem meu nome e me dão a chave pra entrar. Nunca achei que fosse me intrometer tanto na vida de uma família sem sentir remorso :-)

Hoje, apresentei o melhor trabalho da minha vida. “Seminário de pessoas normais sobre autores normais”, o nome que eu dei para o seminário onde Rafael Peck apresentou Gilles Deleuze; João Marcos, Fritjof Capra; Luiz Carlos Jr, Agnes Heller; Júlia Dantas, Paul Virilio, o polvilho; Lucas Jones, Pierre Lévy; eu, Jean Baudrillard; e Dani Prytoluk, Gilles Lipovetsky. Eu não sei quais nomes ficarão mais importantes para a história, os primeiros ou os segundos. O Peck foi a mais completa tradução do delírio na apresentação do Deleuze. O João, com toda a sua tranquilidade, deu toda a entonação da leveza do Capra, que terminou com uma entrada triunfal e provocativa do Luiz Carlos, detrator pessoal do Capra:

“Pra mim, esse cara é a personificação da falcatrua na Terra!” Perfeito.

Ele deu sem dúvida o melhor conteúdo possível pra Agnes Heller, muito claro e direto. Depois saiu com um toque no celular (que eu dei) para a entrada da Júlia, que com sua fíníssima ironia e um charmoso descaso dissecou o apocalíptico Paul Virilio na nossa frente. Lucas então entrou batendo forte na porta e dizendo que o “polvilho” só falava abobrinhas, pra apresentar o seu oposto, o otimista Pierre Lévy. Ele conseguiu quebrar a formalidade com comentários sagazes. Depois eu dei água pro Lucas e entrei, dizem que fui bem, improvisei várias coisas na hora, como o momento em que parei e disse “Todos vocês estão simulando!” que é uma idéia do Baudrillard. Não poderia ter sido melhor a risadinha do outro Luís, um colega nosso, que deu base pra que eu continuasse o assunto.

Aí entrou a Dani e seu autor Gilles Lipovetsky, que é um cara que fala sobre a moda, o estilo, a mulher. A conjunção de imagens coloridas do data show trazido pelo Lucas somado aos óculos escuros da Dani e aquele corpo de modelo foi um espetáculo digno de registro. Pena que não levei minha máquina fotográfica.

A Malu, nossa professora, adorou, e eu adorei mais ainda a sua iniciativa. Eu fiquei tão emocionado que errei três vezes em bola depois quando fui jogar sinuca. Meus dedos ainda estão tomados por esse afã, o que me faz não parar de escrever!

O pessoal vai comemorar o final do semestre em algum lugar hoje a noite, pretendo ir. Mas antes visitarei meu pai, e depois atualizarei o blog com alguma novidade, se for o caso

música: O Maltus (que chamam de Léo entre nossos veteranos, mas eu sempre chamarei de Maltus por afinidades escolares) tocava Over the Hills and Far Away do Led Zeppelin quando subi pra postar isso. Uma das frases da música:

“Many dreams come true, and some have silver linings/ I live for my dream and a pocket full of gold”

Pra que sonhar com prata se podemos ter ouro na mão?

Escrito por Luís Felipe

Janeiro 23, 2004 em 4:42 pm

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Cara leitora konstantine:

O único texto seu que não gostei foi o da estranha menina. Por favor, não fique triste, a minha opinião é completamente efêmera. Agradeço desde já a dica sobre a acentuação do blog.

Pessoas:

não tenho tempo de escrever o que quero no momento, mas juro que até o final da sexta feira farei isso. Aguardem.

Escrito por Luís Felipe

Janeiro 22, 2004 em 8:03 pm

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